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ARTIGO ORIGINAL

Acidentes de trabalho, dor musculoesquelética e qualidade de vida relacionada à saúde entre peões pantaneiros do Brasil e ganaderos do México

Work-related accidents, musculoskeletal pain, and health-related quality of life among Pantanal farm workers in Brazil and ganaderos in Mexico

Eduardo Espíndola Fontoura-Junior1; Liliana Andolpho Magalhães Guimarães2; Ezequiel Ramirez Lira3*; Felipe Santoyo Telles3

DOI: 10.47626/1679-4435-2022-639

RESUMO

INTRODUÇÃO: O Brasil e o México são países que se destacam na produção agropecuária mundial. Neste contexto, essa atividade econômica é uma das mais vulneráveis, pois apresenta preocupantes taxas de incidência e prevalência de acidentes e enfermidades relacionadas ao trabalho.
OBJETIVOS: Este estudo caracterizou e comparou a ocorrência de acidentes de trabalho, dor musculoesquelética e qualidade de vida relacionada à saúde de pantaneiros do Brasil e de seus equivalentes do México – os ganaderos. Foram incluídos um total de 100 trabalhadores rurais do município brasileiro de Aquidauana, estado do Mato Grosso do Sul, e do município mexicano de Atemajac de Brizuela, estado de Jalisco.
MÉTODOS: Utilizaram-se como instrumentos de pesquisa o Nordic Musculoskeletal Questionnaire, o Questionário de Acidentes de Trabalho em Ambiente Rural, o Questionário Sociodemográfico e Ocupacional e o The Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey.
RESULTADOS: Entre os participantes, 84% dos brasileiros e 90% dos mexicanos sofreram algum tipo de acidente; 48% dos brasileiros e 28% dos mexicanos relataram que sofrem de dor lombar; e 36% dos brasileiros e 42% dos mexicanos apontaram que sentem dor nos joelhos. Juntos, brasileiros e mexicanos obtiveram, em qualidade de vida relacionada à saúde, o melhor escore (90,6) em aspectos emocionais, contrastando com o pior deles, a dor (19,4 brasileiros; 13,8 mexicanos). Conclusões: Os indicadores obtidos sinalizaram que esses trabalhadores estão expostos a riscos de acidentes, dor e enfermidades que interferem na qualidade de vida relacionada à saúde.

Palavras-chave: acidentes de trabalho; qualidade de vida; saúde do trabalhador; saúde da população rural; Pantanal.

ABSTRACT

INTRODUCTION: The agricultural and livestock production of Brazil and Mexico stand out in the global scenario. In this context, this economic activity is one of the most vulnerable, presenting alarming incidence and prevalence rates of work-related accidents and diseases.
OBJECTIVES: This study characterized and compared the occurrence of occupational accidents and musculoskeletal pain, as well as the health-related quality of life of Pantanal farm workers (pantaneiros) in Brazil and their equivalents in Mexico — the ganaderos. This study included 100 farm workers of the Brazilian municipality of Aquidauana, state of Mato Grosso do Sul, and the Mexican municipality of Atemajac the Brizuela, state of Jalisco.
METHODS: The research instruments used in this study were the Nordic Musculoskeletal Questionnaire, a questionnaire on occupational accidents in rural areas, a sociodemographic and occupational questionnaire, and the Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey.
RESULTS: Among the participants, 84% of the Brazilians and 90% of the Mexicans suffered some type of accident; 48% of the Brazilians and 28% of the Mexicans reported lower back pain; and 36% of the Brazilians and 42% of the Mexicans reported knee pain. Both the Brazilian and Mexican workers had the best score (90.6) for emotional aspects of health-related quality of life, in contrast with their worst scores: pain (19.4 for Brazilian workers, 13.8 for Mexican workers).
CONCLUSIONS: These indicators imply that these workers are exposed to risks of accidents, pain, and illnesses that interfere with their health-related quality of life.

Keywords: occupational accidents; quality of life; occupational health; rural health; Pantanal.

INTRODUÇÃO

Pode-se afirmar que todos os trabalhadores correm o risco de sofrer algum acidente de trabalho (AT) como consequência direta do labor, podendo ocorrer perda desta capacidade, sequelas e morte. Os AT podem ser “típicos”, quando ocorrem no ambiente de trabalho e durante o exercício laboral, e de “trajeto”, durante o deslocamento do trabalhador de sua casa para o trabalho ou vice-versa1.

Em 2014, a Organização Internacional do Trabalho (OIT)1 calculou que os AT e as enfermidades profissionais (EP) causam mais de 2,3 milhões de mortes por ano no mundo, com destaque para o aumento dos transtornos musculoesqueléticos (TME) e mentais, especialmente estresse, ansiedade e depressão2. Na atualidade, os AT são responsáveis por problemas de saúde em 860 mil trabalhadores/dia no mundo. Em 2013, foram notificados 3,1 milhões de acidentes não fatais na Europa, que forçaram uma ausência no trabalho de pelo menos 4 dias, e 3.674 acidentes mortais nos Estados-Membros da União Europeia3. Conforme dados da Previdência Social, em 2015, foram registrados um total de 612,6 mil acidentes no Brasil, com 2.500 mortes, levando o país a ocupar o 4º lugar no mundo em número de acidentes4.

Um estudo realizado pela OIT em 20151 revelou que, no mundo, mais de 10% dos casos de incapacidade correspondiam à ocorrência de TME1,2, que têm uma etiologia multifatorial, cujos fatores de risco são os AT, o trabalho repetitivo, posições dolorosas e cansativas, movimentação de cargas pesadas e outras atividades laborais comuns aos trabalhadores rurais1. Dados da Previdência Social do Brasil de 2011 a 2013 apontaram para os TME como um dos principais agravos no trabalho, em quantidade e valor de auxílios-doença acidentários concedidos5.

De acordo com o Censo Demográfico 2010, o Brasil é um dos maiores países agropecuários do mundo, cuja população de trabalhadores aproxima-se de 13.000.000, em torno de 14,2% de toda a população economicamente ativa. O país está entre os cinco primeiros em produção de carne bovina (com destaque para a região do Pantanal), carne de porco, frango e leite6. Os Estados Unidos Mexicanos também se destacam na agropecuária, com aproximadamente 28.415.337 cabeças de gado bovino7. Nesse país, 86% das unidades de produção correspondem à agropecuária e agricultura7, uma característica que o diferencia da região do Pantanal do Mato Grosso do Sul, no Brasil, que se dedica mais à pecuária de corte.

No mundo, o setor agropecuário é um dos mais vulneráveis, apresentando alta incidência de AT, inclusive na Europa2. Em 2014, a agropecuária brasileira foi responsável por 17.008 acidentes típicos, 1.210 acidentes de trajeto e 3.865 EP5. Já a agropecuária mexicana registrou, nos anos de 2015 e 2016, 7.916 casos de acidentes ocupacionais, 1.315 acidentes de trajeto e 631 casos de EP por atividade econômica, somente entre os homens8.

Segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), o pantaneiro é o trabalhador agropecuário do Pantanal que trabalha, sobretudo, com o gado de corte9. O ganadero é o trabalhador agropecuário mexicano que trabalha com gado leiteiro, de corte e agricultura10. Assim, considerando a realidade dos dois países, este estudo teve por objetivo caracterizar e comparar a ocorrência de AT, dor musculoesquelética e qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) entre os pantaneiros da região conhecida como Pantanal de Aquidauana, estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, e os ganaderos de Lagunillas e Tierra Blanca, município de Atemajac de Brizuela, estado de Jalisco, México.

 

MÉTODOS

DELINEAMENTO

Trata-se de um estudo exploratório, descritivo, de corte transversal, comparativo e quantitativo.

PARTICIPANTES

O tipo de amostragem foi a não probabilística, constituída por 50 trabalhadores rurais brasileiros (Br), pantaneiros, e 50 trabalhadores mexicanos (Mx), ganaderos, totalizando 100 participantes. Todos eram do sexo masculino, tinham idade superior a 18 anos e concordaram em participar da pesquisa.

PROCEDIMENTOS

O procedimento para a coleta de dados foi inicialmente realizado no Brasil e, posteriormente, no México. Realizou-se uma primeira visita aos dois locais referidos para explicar aos participantes o objetivo da pesquisa e solicitar sua cooperação; em seguida, marcou-se nova data para a aplicação dos questionários. No Brasil, a coleta foi realizada em seis fazendas do município de Aquidauana, estado de Mato Grosso do Sul. No México, contou-se com o apoio da Associación Ganadera de Lagunillas e de Tierra Blanca, na cidade de Atemajac de Brizuela; os dados foram coletados durante as reuniões.

INSTRUMENTOS

Uma das ferramentas mais utilizadas no mundo para identificar sintomas musculoesqueléticos é o Nordic Musculoskeletal Questionnaire (NMQ), validado e adaptado para o Espanhol em 201011.

O Questionário de Acidentes de Trabalho em Ambiente Rural (QATAR) é um instrumento composto por nove perguntas fechadas a respeito de acidentes e fraturas, e o Questionário Sociodemográfico e Ocupacional (QSDO) é um conjunto de 21 questões fechadas. Ambos os questionários foram elaborados pelos autores.

O The Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36) é um questionário genérico usado para avaliar a QVRS, tendo sido validado e adaptado para o Brasil em 199712 e validado para o contexto mexicano em 199913.

ASPECTOS ÉTICOS

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, sob o parecer 1.663.646.

ANÁLISE ESTATÍSTICA

Os dados foram tabulados e analisados pelo software SPSS, versão 22. Utilizou-se estatística descritiva, testes de hipóteses (qui-quadrado e o t de Student para variáveis independentes) e médias e frequências segundo o tipo de variável; o valor de p ≤ 0,05 foi considerado significativo.

 

RESULTADOS

Com relação à faixa etária dos participantes, pôde-se verificar uma média de idade de 40 anos para os trabalhadores Br e 58,9 anos para os Mx [desvio padrão (DP) ± 11 e 14,7], respectivamente. As idades e a distribuição etária são estatisticamente diferentes entre as duas amostras (p = 0,00001). A faixa etária mais frequente nos pantaneiros foi de 31 a 40 anos (42%), enquanto nos ganaderos foi de 71 anos ou mais (30%). Quanto ao estado civil, evidenciou-se que 76% dos ganaderos eram casados e 2% viviam em união livre (casamento não oficial); dos pantaneiros, 42% eram casados e 42% viviam em regime de união livre (p = 0,00004), com diferença significativa entre os pantaneiros e ganaderos casados.

No tocante à escolaridade, 18% dos Br eram analfabetos, contra 14% dos Mx; 70% dos trabalhadores Br concluíram o ensino fundamental, em contraste com 30% dos Mx. No México, 14% dos participantes finalizaram o ensino médio, em contrapartida, 2% dos participantes brasileiros; 8% dos Mx têm curso superior concluído, em contraste com nenhum brasileiro. Observa-se que ambas as escolaridades são baixas, em especial a dos pantaneiros (p = 0,00025), pois apenas 10% possuem o ensino fundamental incompleto (EFI), enquanto 30% dos ganaderos apresentam o EFI (Tabela 1).

 

 

Quanto aos aspectos ocupacionais, verificou-se que o tempo de trabalho com o gado, na categoria de 21 anos de trabalho ou mais, é maior para os Mx (68%) do que para os Br (46%). Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os trabalhadores dos dois países (p = 0,0853) (Tabela 1).

Em relação a horas semanais trabalhadas, foram encontradas diferenças estatisticamente significativas (p = 0,0033). Destaca-se que 10% dos Mx trabalham menos de 40 horas, em contraste com nenhum brasileiro. Os pantaneiros que trabalham 40 horas representam 12%, frente a 20% dos ganaderos; em contrapartida, 74% dos Br trabalham 48 horas semanais, enquanto os ganaderos representam 40%. Dos pantaneiros, 14% trabalham mais de 48 horas, diante de 30% dos ganaderos. Dos Mx, 98% responderam que são proprietários de suas terras; 40% dos Br possuem propriedade, que, na maioria, são casas na cidade (Tabela 1).

Quanto ao tipo de acidente (Tabela 2), o manejo do gado representou 32% dos acidentes entre os ganaderos e 12% entre os pantaneiros. Ainda, 30% dos ganaderos e 28% dos pantaneiros acidentaram-se por queda de cavalo. Em relação aos acidentes com animais peçonhentos, os ganaderos apresentaram 28%, diante de 2% entre os pantaneiros. Entre os ganaderos, 90% já sofreram algum tipo de AT; entre os pantaneiros, 84%. Na categorização dos acidentes entre Br e Mx, os típicos apresentaram-se com uma porcentagem bem mais elevada (96,4% e 86,8%, respectivamente) do que os de trajeto (3,4% e 13%, respectivamente).

 

 

Em relação a fraturas por acidentes, 32% dos pantaneiros relataram essa ocorrência, em comparação a 26% dos ganaderos. Ainda em relação a essas fraturas, 52% dos trabalhadores de ambos os países sofreram pelo menos uma, com diferenças significativas para acidentes com gado (p = 0,016), animal peçonhento (p = 0,000) e veículos (p = 0,008).

Quanto às respostas obtidas pelo NMQ, foram avaliadas quatro questões desse instrumento: 1) Nos últimos 12 meses, você teve problemas como dor, formigamento ou dormência? 2) Nos últimos 12 meses, você foi impedido de realizar atividades normais (por exemplo: trabalho) no local? 3) Nos últimos 12 meses, você consultou algum profissional da área da saúde (médico, fisioterapeuta) por essa causa? 4. Nos últimos 7 dias, você teve algum problema como dor?

Em resposta, os Br e Mx relataram: 1) dor na parte inferior das costas (lombar) (48% Br; 28% Mx), dor nos joelhos (36% Br; 42% Mx) e dor nos ombros (14% Br; 30% Mx); 2) Os trabalhadores descreveram impedimento em atividades normais, inclusive no trabalho, sobretudo devido a dores nos joelhos (0% Br; 18% Mx), ombros (4% Br; 16% Mx) e pescoço (6% Br; 16% Mx); 3) Dos profissionais de saúde procurados, as causas foram dores no pescoço (0% Br; 20% Mx), na lombar (4% Br; 12% Mx) e nos tornozelos e pés (0% Br; 10% Mx); 4) Nos últimos 7 dias, problemas na parte superior das costas (4% Br; 18% Mx), nos cotovelos (0%, Br; 10%, Mx) e nos tornozelos e pés (6% Br; 14% Mx) foram relatados como os mais frequentes. Destaca-se que, dos resultados obtidos na primeira questão do NMQ (maiores índices de dor relatados), foram achadas diferenças significativas para dor nos cotovelos (p = 0,037) e na lombar (p = 0,039), conforme Tabela 3.

 

 

Na Tabela 4, apresentam-se os resultados dos componentes físico (CF) e mental (CM) e os domínios de QVRS em pantaneiros e ganaderos. O CF (60,9 pts Br; 56,6 pts Mx) engloba os domínios capacidade funcional (90,4 pts Br; 79,1 pts Mx), estado geral de saúde (44,6 pts Br; 45,2 pts Mx), dor (19,4 pts Br; 13,8 pts Mx) e aspectos físicos (89,5 pts Br; 88,5 pts Mx); enquanto o componente mental (CM) (62,1 pts Br; 62,3 pts Mx) engloba os domínios vitalidade (51,1 pts Br; 50,5 pts Mx), aspectos sociais (49,8 pts Br; 46,5 pts Mx), saúde mental (56,9 pts Br; 61,8 pts Mx) e aspectos emocionais (90,6 pts Br; 90,6 pts Mx).

 

 

De maneira geral, os pantaneiros apresentaram melhor resultado no CF da QVRS do que os ganaderos, porém essa avaliação mostrou-se pior no CM. O grupo dos pantaneiros obteve melhor escore em capacidade funcional, aspectos físicos, aspectos sociais e vitalidade, enquanto os ganaderos obtiveram melhores escores em estado geral de saúde e saúde mental. Os trabalhadores de ambos os países obtiveram escores iguais e satisfatórios no domínio aspectos emocionais (90,6 pts); no domínio dor, apresentaram o pior escore (19,4 pts Br; 13,8 pts Mx), indicando comprometimento de sua QVRS.

O teste t de Student para amostras independentes sugeriu a associação, entre os componentes físicos do grupo de trabalhadores Br e Mx (p = 0,013), na capacidade funcional (p = 0,007) e saúde mental (p = 0,025).

 

DISCUSSÃO

Pesquisar e estabelecer comparações entre esses trabalhadores com relação à saúde e qualidade de vida possibilitam uma melhor compreensão sobre a vida dessas populações para “além-fronteiras”, a fim de contribuir para a QVRS dos trabalhadores de ambos os países. Referente à faixa etária dos Br, a maior ocorrência foi de 31 a 40 anos. Nesse grupo, os indivíduos apresentam mais vitalidade, força e energia para realizar seu trabalho. Já os ganaderos estavam na faixa dos 71 a 80 anos, achado que se distancia do obtido pelos pantaneiros. Entretanto, uma estimativa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)14 afirma que a proporção de trabalhadores rurais de 60 anos ou mais aumentou 57,3% em 1991 e continuou a crescer, atingindo 10,8% em 2010, o que indica uma tendência para o aumento dessa população.

Os trabalhadores do Brasil e México têm uma faixa etária predominante entre 41 e 60 anos. A Secretaria del Trabajo y Previsión Social del México registrou que a maior proporção de pessoas com mais 45 anos encontra-se no setor agropecuário15. Em relação ao estado civil, os Br se assemelham aos Mx ao se somar o número de indivíduos declarados casados e em união livre: 78% entre os Mx e 84% entre os Br, não sendo possível observar diferenças estatisticamente significativas.

No tocante à escolaridade, 18% dos Br são analfabetos, em contrapartida a 14% dos Mx; os Br com ensino fundamental completo (EFC) perfazem 70%, enquanto os Mx, 30%. De forma contrária, 30% dos Mx possuem EFI, em comparação a apenas 10% dos Br. Os Br analfabetos são em maior número, mas possuem um melhor índice de EFC. Observou-se, portanto, baixa escolaridade dos trabalhadores nos dois países. Outros estudos corroboram com os resultados obtidos, pois encontraram altas taxas de baixa escolaridade entre trabalhadores agropecuários do México (77,9%) e Brasil (79,6%)6,15. Essa estatística se reflete na dificuldade de prevenção de acidentes de trabalho e, consequentemente, na saúde e qualidade de vida desses trabalhadores.

Quanto aos aspectos ocupacionais, verificou-se que os Mx (68%) apresentaram mais tempo de trabalho na lida com o gado (21 anos de trabalho ou mais) do que os Br (46%). Esse dado pode estar relacionado à idade mais avançada dos trabalhadores Mx em relação aos Br e ao fato de eles iniciarem cedo na profissão. Em contrapartida, no tempo de trabalho de 11 a 20 anos, notou-se uma predominância dos Br (30%) em relação aos Mx (10%), fato atribuído aos pantaneiros que vão “tentar a vida” na cidade, sobretudo os mais jovens. No entanto, muitos regressam ao Pantanal para trabalhar como peão.

Quanto aos Mx, é possível inferir que muitos ganaderos se tornam agropecuaristas depois que regressam dos Estados Unidos, onde adquirem capital e investem em gado10. Ademais, a obstinação na agropecuária é uma característica desses trabalhadores, afirma estudo em que 52,6% dos participantes possuíam mais de 10 anos de trabalho16, resultado que pode explicar os achados mexicanos e brasileiros.

Em relação à categoria dos que trabalham mais de 48 horas, os ganaderos (30%) obtiveram valor maior que os pantaneiros (14%). Esse resultado pode ser compreendido pela necessidade de fazer a terra produzir e dar frutos, pois parte dos ganaderos exerce atividade mista, com gado de corte, leiteiro e lavoura, diferentemente dos pantaneiros, que, na grande maioria, trabalham exclusivamente com o gado7. Em contrapartida, observa-se que as horas trabalhadas em excesso e a sobrecarga de trabalho podem causar problemas físicos e/ou mentais, reduzindo a imunidade e tornando o trabalhador mais suscetível a doenças. Essas características estressoras são denominadas fatores psicossociais de risco no trabalho17 e podem gerar acidentes de trabalho, tornando-se um problema social e de saúde pública18.

Dos pantaneiros, 74% laboram 48 horas semanais, achado maior do que o dos ganaderos (40%). Menciona-se que a maioria dos Mx é proprietária de sua terra, diferentemente dos Br, que são assalariados. Isso pode explicar, em parte, o fato de os Mx trabalharem menos horas do que os Br nessa categoria. Além disso, destaca-se a extensão de terras que são percorridas por esses trabalhadores durante a atividade laboral. No México, os ganaderos trabalham em propriedades de 100 a 200 hectares (ha), em média, e muitos exercem a agricultura familiar19. Porém, a extensão de terras nas quais trabalham os pantaneiros é muito maior, a exemplo de fazendas que possuem mais de 40.000 hectares20.

Os pantaneiros costumam trabalhar mais de 10 horas por dia, a cavalo, sob o sol forte ou chuva21, condição semelhante à dos ganaderos, pois exercem essa desgastante atividade laboral, que exige habilidade e resistência, devido às longas jornadas de trabalho em ambientes inóspitos15. A grande diferença se dá no cenário desses trabalhadores: enquanto os pantaneiros laboram em locais afastados da sede, longínquos, chamados “retiros”, que são necessários para tratar o gado nas invernadas (pastos), os ganaderos trabalham em ranchos menores e demandam menos tempo montados (4 a 5 horas/dia em média) para conduzir o gado. Mesmo assim, esse padrão pode inferir para os resultados de dor na parte inferior das costas desses trabalhadores15,21.

As taxas de acidentes de trabalho na zona rural entre os ganaderos e os pantaneiros foram consideradas altas (84% Br; 90% Mx) quando comparadas com a pesquisa das agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) do interior paulista, que identificou 70,4% de acidentes de trabalho na área rural22. No presente estudo, 28% dos Mx e 2% dos Br foram vítimas de animal peçonhento, o que pode ser explicado pelo ambiente no qual o ganadero trabalha, uma região considerada endêmica pela ocorrência de serpentes23, em especial do gênero crotalus (cascavel).

Os resultados desta pesquisa apontam que 18% dos acidentes ocorreram por equipamentos diversos, sendo 14% no México e 4% no Brasil. Tal achado provavelmente se deve pelo fato de a atividade agrícola ser mais frequente para os Mx, demandando o uso de máquinas e ferramentas. O resultado mais expressivo foi encontrado num estudo sobre acidentes típicos de trabalho rural, em Santa Maria, estado do Rio Grande do Sul, em que 37,3% das ocorrências foram por manuseio de máquinas e equipamentos18.

Considera-se que os dois países pesquisados apresentaram uma taxa elevada de acidentes típicos (96,4% Br; 86,8% Mx) em comparação aos de trajeto (3,4% Br; 13% Mx). No Brasil, em 2014, foram registradas taxas de mortalidade por acidentes típicos (7,2%) e de trajeto (1,8%), ocupando assim a atividade rural brasileira, o terceiro lugar entre as atividades econômicas e colocando-se entre as 20 ocupações que mais desligaram trabalhadores por óbito24. Com relação a fraturas provocadas por acidentes, a maioria dos pantaneiros e ganaderos relataram pelo menos um episódio grave, indicando a incapacidade laboral, que gera alto custo social e econômico.

No tocante ao NMQ, encontramos os seguintes resultados entre pantaneiros (Br) e ganaderos (Mx): dor lombar (24% Br; 26% Mx), dor nos ombros (14% Br; 30% Mx), dor no pescoço (16% Br; 22% Mx) e dor nas mãos e nos punhos (16% Br; 22% Mx). Esses números podem ser explicados pelo trabalho diário de ordenha e pelo número do rebanho nos ranchos mexicanos e fazendas brasileiras, o que pode sobrecarregar os trabalhadores e desencadear mais dores localizadas.

Em pesquisa de prevalência de alterações musculoesqueléticas em trabalhadores agrícolas, realizada na Índia25, identificaram-se resultados elevados: dor lombar (60%), dor no joelho (39%), dor no ombro (22%) e dor no pescoço (10%). Frente a um estudo com ordenhadores, fazendeiros de leite e trabalhadores rurais da Suécia (SE) e Alemanha (DE), destacaram-se dor lombar (49% SE; 61% DE), dor nos ombros (47% SE; 52% DE), dor no pescoço (38% SE; 53% DE) e dor nas mãos e nos punhos (32% SE; 42% DE)26. Ambos os pesquisadores buscaram medidas educativas, de saúde e segurança no trabalho para resolução de problemas dos trabalhadores e das condições laborais.

De maneira geral, os maiores índices achados neste estudo foram para dor lombar (48% Br) e para dor nos joelhos (42% Mx). No caso dos pantaneiros, a dor nas costas pode ser atribuída à idade, às sequelas de acidentes, ao tempo de trabalho e de monta diária no cavalo, às atividades de separação dos animais (aparte) para ferrar, sinalar e vacinar e ao amansamento de cavalo chucro (doma), etc. Além disso, existe, ainda hoje, a condução do gado de uma fazenda para outra por meio das comitivas, o que, muitas vezes, exige a travessia da boiada pelos rios da região.

Quanto aos ganaderos, considera-se como causa da dor nas costas a monta, sequelas de acidentes, a idade e o trabalho na ordenha, que exige do trabalhador uma postura sentada e desconfortável, mantendo os joelhos dobrados por horas, e a realização de movimentos frequentes na ordenha, exigindo esforço das mãos e cotovelos. Essa postura predispõe a doenças relacionadas aos músculos, à circulação e aos nervos, bem como lesões por esforço repetitivo adquiridas ao longo do tempo na atividade de agricultura e manejo do gado.

O CF e o CM, juntamente com os domínios de QVRS, apontaram uma melhor qualidade de vida no CF dos pantaneiros, o que pode estar relacionado com a idade; porém, os ganaderos apresentaram melhores índices para o CM. Para uma boa avaliação no CF, o indivíduo deve apresentar-se sem limitações físicas e com um alto nível de energia, podendo ter a saúde considerada “excelente”27. Em contrapartida, em uma avaliação ruim, o participante apresentará limitações físicas nos aspectos sociais e de autocuidado, função corporal incapacitante, dores graves no corpo e cansaço, sendo a saúde mensurada como poor (ruim). Para uma avaliação ruim ou “pobre” no CM, devem ser identificados sofrimento, limitação em atividades sociais e função emocional incapacitante. Para uma avaliação “boa”, o indivíduo deve estar com ausência de sofrimento ou angústia, tampouco limitações nas atividades sociais por problemas emocionais, obtendo o nível “excelente”27.

Assim, diante dos resultados, não se pode considerar uma “boa” avaliação, pois, embora os pantaneiros e ganaderos tenham obtido valores de QVRS acima de 50 pts, no CF e no CM, separadamente, os valores não passaram de 63 pts. Esses dados são apresentados na Tabela 4.

Os trabalhadores rurais do Brasil e México obtiveram alguns escores de QVRS considerados bons: capacidade funcional (90,4 pts Br; 79,1 pts Mx) e aspectos físicos (89,5 pts Br; 88,5 pts Mx). No entanto, os resultados ficaram abaixo dos obtidos em estudo com trabalhadores rurais da Holanda28, cujos resultados apontaram 93 pts para capacidade funcional e aspectos físicos.

Contudo, os dois países deste estudo apresentaram maior número de escores “razoáveis ou ruins” nos itens estado geral de saúde (44,6 pts Br; 45,2 pts Mx), saúde mental (56,9 pts Br; 61,8 pts Mx), aspectos sociais (49,8 pts Br; 46,5 pts Mx) e vitalidade (51,1 pts Br; 50,5 pts Mx). Esses valores são comparáveis aos encontrados em trabalhadores rurais do Canadá, portadores de doenças como asma29, cujos escores foram os seguintes: estado geral de saúde (58,7 pts), vitalidade (51,0 pts), aspectos sociais (68,7 pts) e saúde mental (74,6 pts), resultados que são melhores em relação ao Brasil e México, exceto para o domínio vitalidade dos pantaneiros.

Os trabalhadores Br e Mx apresentaram resultados iguais no domínio aspectos emocionais (90,6 pts), sendo satisfatório. Esse domínio faz parte do CM do SF-36 e seus resultados são considerados relevantes em relação à saúde mental dos trabalhadores. A saúde emocional de uma pessoa está ligada a fatores genéticos e ambientais, inclusive o de trabalho, que, inter-relacionados, vão ser determinantes na reação do indivíduo frente às adversidades30. O homem com a saúde emocional afetada torna-se vulnerável e predisposto a estresse, angústia, depressão e doenças, dificultando, assim, o seu tratamento de saúde30. Diante dessas abordagens, considera-se que tanto os pantaneiros quanto os ganaderos manifestaram capacidade de manter o equilíbrio e a tranquilidade diante dos obstáculos da vida.

O domínio que apresentou o pior escore, neste estudo, foi o da dor (19,4 pts Br; 13,8 pts Mx), indicando sério comprometimento relacionado à saúde, aproximando-se de um escore de QVRS categorizado como poor27. A alteração do domínio “dor” é sinal de uma qualidade de vida comprometida por doenças físicas e/ou mentais, relacionadas a hábitos de vida inadequados, como longas jornadas de trabalho, poucas horas de sono e condições precárias de trabalho, entre outros30.

Os participantes Br e Mx apresentaram altos índices de AT. No NMQ, o resultado de maior destaque entre eles refere-se à questão que verificava se os trabalhadores haviam relatado dor nos últimos 12 meses. Os maiores escores recaíram sobre dor lombar e nos joelhos, o que pode indicar relação entre a dor, a atividade laboral e as sequelas de acidentes sofridos durante o exercício profissional. Com relação à QVRS, os componentes físico e mental dos trabalhadores apresentaram resultados de regular a bom, sobretudo devido ao baixo escore obtido no domínio dor (19,4 pts Br; 13,8 pts Mx).

 

CONCLUSÕES

Por meio deste estudo, verificou-se a existência de associação entre o componente físico (CF), o domínio capacidade funcional e a saúde mental dos dois países, o que indica as diferentes realidades vivenciadas pelos trabalhadores, as características climáticas, a prática laboral diária, as horas trabalhadas por dia e as atividades fisicamente extenuantes, que alteram a saúde física destes trabalhadores rurais, brasileiros e mexicanos. Já a saúde mental pode variar de acordo com diferentes culturas, épocas e autores. Porém, neste estudo, o escore de saúde mental dos trabalhadores dos dois países foi considerado bom.

Por fim, pode-se dizer que os indicadores encontrados sinalizam para a suscetibilidade dessa categoria profissional a riscos de acidentes e enfermidades. Há necessidade de mais atenção por parte das autoridades de saúde pública e segurança no trabalho dos países, em especial na busca de estratégias educativas, para que esses trabalhadores do campo possam ter acesso à saúde de forma integral e obter uma melhor QVRS.

 

AGRADECIMENTOS

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio.

Contribuições dos autores

EEFJ foi o principal responsável pelo estudo (artigo de tese de Doutorado), participou de todas as etapas do trabalho, desde a concepção, investigação, tratamento e análise formal de dados no Brasil e no México, até a redação – esboço original. LAMG foi orientadora e participou da concepção do estudo, da investigação e análise de dados, bem como da redação – esboço original e revisão & edição do texto. ERL foi coorientador mexicano e participou ativamente do estudo, assim como da investigação e tratamento de dados, redação – revisão & edição do texto e dos recursos necessários para o desenvolvimento da pesquisa no México. Contudo, faleceu antes de este estudo ser publicado. FST participou do tratamento dos dados, da análise formal e metodologia aplicada ao estudo.

 

REFERÊNCIAS

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* In memorian

Recebido em 20 de Julho de 2020.
Aceito em 20 de Outubro de 2020.

Fonte de financiamento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)

Conflitos de interesse: Nenhum


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