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ISSN (Impresso) 1679-4435 - ISSN Online 2447-0147
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Acesso aberto Revisado por Pares
Editorial

A saúde do trabalhador que cuida da saúde

The health of healthcare workers

João Silvestre Silva-Junior

DOI: 10.5327/Z1679-44352017v15n3ED

A segurança e saúde dos profissionais de saúde é um tema recorrente em diversas publicações no campo da Saúde Pública, em particular na área da Saúde do Trabalhador. A Revista Brasileira de Medicina do Trabalho (RBMT) tem sido um espaço frequente de divulgação dessa produção científica.

Dados publicados em um relatório da Organização Mundial da Saúde e da Global Health Workforce Alliance (“Aliança Global dos Recursos Humanos em Saúde”)1 indicam que quase 1,9 milhão de profissionais de saúde estavam habilitados a prestar serviços no Brasil, no ano de 2013. O objetivo do documento era discutir o acesso a cuidados de saúde como um dos desafios globais do milênio. Entre os pontos fundamentais para alcançar a meta de uma cobertura plena até 2030, o relatório apontava a necessidade de formar e capacitar recursos humanos a fim de prepará-los e engajá-los nesse projeto. Além disso, caberia estimular o desenvolvimento de uma força de trabalho capacitada e motivada para o desempenho das tarefas voltadas aos cuidados em saúde. É difícil que esse panorama se concretize sem investimentos na promoção da saúde e da segurança no trabalho desses trabalhadores, a fim de mantê-los em um estado permanente de bem-estar biopsicossocial.

O número 3 do volume 15 da RBMT apresenta uma série de artigos que propõe discutir a realidade de diversos profissionais envolvidos na assistência de cuidados de saúde. Silva e colaboradores revisaram os riscos ocupacionais no trabalho da enfermagem em unidade de terapia intensiva, e Dzhodzhua e colaboradores abordaram a fadiga visual entre médicos oftalmologistas.

O enfoque sobre a exposição ocupacional a agentes biológicos é tema de um levantamento de dados hospitalares, no estudo de Lima, Kawanami e Romeiro; motivou uma discussão sobre o gerenciamento de investigação de acidentes com perfurocortantes, descrito por Lima e colaboradores; e é discutido por Gomes e Caldas, a partir de dados levantados no Sistema de Informação sobre Agravos de Notificação (SINAN) sobre Acidentes de Trabalho com Exposição a Material Biológico (ATEMB).

Sabendo que parte dos recursos humanos em saúde são mulheres em idade fértil, a revisão apresentada por Pustiglione sobre o impacto de agentes de risco ocupacional no processo de gestação, no concepto e no lactente é um tema permanentemente necessário, principalmente em época de flexibilização dos direitos trabalhistas.

Ressonando editorial publicado por Dussault,2 cabe refletirmos a aplicabilidade prática do vasto conhecimento que vem sendo produzido a partir de discussões sobre o processo saúde-trabalho-doença entre profissionais de saúde. É recomendável que os investigadores ousassem no seu enfoque para além do descritivo de características que lhe são familiares e do levantamento de dados de fácil acesso. Estimular o desenvolvimento de projetos ou ações para a melhoria dos ambientes e contextos de trabalho contribuiria mais efetivamente para o exercício das boas práticas de atendimento e para a manutenção da saúde do trabalhador que cuida da saúde.

 

REFERÊNCIAS

1. World Health Organization. Global Health Workforce Alliance. A universal truth: no health without a workforce. Geneva: WHO, 2014.

2. Dussault G. Pesquisa em Recursos Humanos em Saúde. Rev Esc Enferm USP. 2015;49(Esp2):1-2.


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