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ISSN (Impresso) 1679-4435 - ISSN Online 2447-0147
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Acesso aberto Revisado por Pares
Editorial

Novos desafios em Medicina do Trabalho: limites tênues e diversidade presente

New challenges for occupational medicine: subtle boundaries and ongoing diversity

Vera Lucia Zaher-Rutherford

DOI: 10.5327/Z1679-44352018v16n1ED

O avanço tecnológico e científico propiciou nas últimas décadas, ou, mais precisamente, a partir da Segunda Guerra Mundial, uma revolução nas relações entre o homem e o mundo do trabalho. Da Revolução Industrial até a presente data, o estudo do ambiente de trabalho e seus efeitos sobre a saúde dos trabalhadores sofreu mudanças significativas, quer na concepção de doença ocupacional/do trabalho e as novas formas de adoecimento, quer nas relações entre as diversas hierarquias de uma empresa. Do combate aos riscos químicos e biológicos, tão importantes quanto a sua exposição e possível intoxicação/contaminação, para os riscos psicossociais, pode-se dizer que a medicina do trabalho e seus irmãos — a saúde ocupacional e a saúde dos trabalhadores — mudaram sobremaneira não só na sua complexa percepção conceitual, mas por extensão na sua abordagem e resolutividade.

No Brasil, de dimensão continental, como também em vários outros países como da América Latina, a heterogeneidade das necessidades de cuidados com a saúde dos trabalhadores é imensa. Se, por um lado, há ainda empresas de pequeno, médio ou até grande porte precisando de implantação de programas de promoção e prevenção à saúde, existem outras em que o grau de complexidade esbarra nas questões do público e do privado. Algumas precisam atuar fortemente na prevenção de acidentes e, por outro lado, outras são fortemente marcadas por gestões difíceis que se refletem em transtornos psicossociais.

O médico do trabalho encontra no seu dia a dia um caleidoscópio de possibilidades de atuação e desafios com a diversidade presente, num só lugar (local de trabalho presencial ou virtual), de pessoas/trabalhadores com culturas múltiplas, pensares diferentes, funções distintas, riscos diversos e comportamento moral, em muitos casos esfacelados como reflexo da sociedade.

Os absenteísmos/afastamentos por transtornos mentais, a conceituação de capacidade no trabalho e qualidade de vida, a prevenção por introdução de vacinação nas empresas e estudos sobre satisfação com o trabalho, além das diretrizes da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) sobre Asma e Trabalho: diagnóstico por medida, seriada do Peak Flow, são temas que estão no cotidiano dos profissionais dessa importante área, assim como deste volume da Revista Brasileira de Medicina do Trabalho (RBMT).

Em 2017, no Congresso Internacional sobre Organização do Trabalho e Fatores Psicossociais, na Cidade do México, México, as prioridades na saúde mental e física do trabalhador foram elencadas. Dessa maneira, todos os profissionais da área devem ter sempre em mente que o século XXI trouxe mudanças significativas pela globalização e avanços tecnológicos e da comunicação em massa que transformaram e, dinamicamente, transformam o mundo do trabalho, esfumaçando os antigos limites claros entre vida privada e vida profissional. Os estressores são de várias grandezas e estão constantemente presentes no mundo do trabalho, afastando os trabalhadores do ideal: "sociedades saudáveis produtivas, felizes e resilientes para as gerações que virão depois de nós nas próximas décadas", conforme a Declaração do México sobre Saúde Mental e Trabalho: Chamada para Ação, na íntegra nesta edição.

O desafio está posto. Ampliar o conhecimento dos profissionais, aprender com a experiência dos colegas, trocar ideias e colocá-las na prática profissional integram a proposta que os editores desta revista, juntamente com os autores, desejam a todos os leitores. Boa leitura.


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