Site Logo
ISSN (Impresso) 1679-4435 - ISSN Online 2447-0147
138
Visualizações
Acesso aberto Revisado por Pares
Editorial

A importância de discutir tópicos relevantes para a saúde do trabalhador

The importance of discussing topics relevant for workers’ health

João Silvestre Silva-Junior

DOI: 10.5327/Z167944352018v16n2ED

Durante o mês de maio de 2018, uma greve de caminhoneiros gerou importantes transtornos para a sociedade brasileira1. Uma extensa pauta reivindicatória moveu esse grupo de trabalhadores a lutar por seus direitos, mas pouco se leu sobre a busca por melhores condições de trabalho. Este número da Revista Brasileira de Medicina do Trabalho publica artigo de opinião de Rocha, Fischer e Moreno que discute a necessidade de uma política intersetorial mais ampla para a proteção da saúde dessa categoria profissional. Os autores apresentam considerações sobre a necessidade de reorganização do trabalho a fim de minimizar condições nocivas à saúde.

Aspectos ergonômicos foram foco de diversos estudos sobre a saúde física e mental de trabalhadores que publicamos neste número. Destaco a pesquisa conduzida por Faoro e colaboradores, que detectou, entre mais de mil trabalhadores de um frigorífico do Sul do Brasil, diferença estatística na prevalência de dores musculoesqueléticas conforme a presença ou não de sofrimento mental associado ao quadro. Considerando o impacto socioeconômico dos distúrbios ortopédicos, Maciel e colaboradores apresentam uma revisão sistemática com metanálise discutindo se a realização de exercícios físicos no ambiente de trabalho influencia a percepção da dor lombar entre os trabalhadores.

Em parceria com a Comissão Internacional de Saúde Ocupacional (International Commission on Occupational Health — ICOH), compartilhamos a Declaração de Dublin sobre Saúde Ocupacional, que foi resultado do 32º Congresso da ICOH, realizado entre abril e maio de 2018, na Irlanda. No documento, a ICOH se compromete a estabelecer parcerias para desenvolver ações em prol da prevenção do câncer ocupacional e das doenças relacionadas à exposição ao amianto. Dados globais publicados recentemente indicam que cerca de 233 mil mortes anuais decorrem de exposição ocupacional ao amianto, o que reforça a necessidade de abordagens específicas para a prevenção de tais agravos2.

Uma ação necessária para subsidiar políticas públicas é a vigilância em saúde do trabalhador. Na pesquisa de Lima e colaboradores são apresentados dados sobre entrevistas com profissionais responsáveis pela notificação de acidentes de trabalho em unidades sentinelas de Fortaleza, Ceará, e são discutidas possíveis ações para diminuir a subnotificação de tais agravos. Nessa conjuntura, cabe estimular os graduandos em Medicina a considerar o trabalho como um determinante social para a saúde, como descrito no estudo de Daniel e colaboradores sobre uma liga acadêmica de medicina do trabalho no estado do Paraná.

Por fim, divulgamos duas produções técnico-científicas que resultaram de parcerias da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT). A primeira é o artigo de Guimarães e colaboradores que apresenta a adaptação transcultural de um instrumento norte-americano utilizado na mensuração da efetividade das ações de saúde, segurança e bem-estar nos diversos ambientes de trabalho. Esse material é um produto da Comissão Técnica de Promoção da Saúde no Trabalho da ANAMT. A segunda é a “Diretriz Técnica da ANAMT (DT 05) – Acidentes, Morte Súbita, Síncope e Trabalho: Rastreamento por Eletrocardiograma”, fruto da parceria da ANAMT com o Projeto Diretrizes da Associação Médica Brasileira (AMB). Nesse material, Myung e colaboradores discutem a eficácia do rastreamento com eletrocardiograma de repouso em ambiente de trabalho para fins de prevenção de acidentes, morte súbita ou síncope em adultos assintomáticos.

 

REFERÊNCIAS

1. Carvalho C, Carneiro M, Fernandes T. Caminhoneiros voltam ao Planalto com pauta mais extensa e cobram promessas no papel. Folha de S.Paulo. 27 mai 2018[citado 5 jun. 2018]. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/05/caminhoneiros-voltam-ao-planaltocom-pauta-mais-extensa-e-cobram-promessas-no-papel.shtml

2. Furuya S, Chimed-Ochir O, Takahashi K, David A, Takala J. Global Asbestos Disaster. Int J Environ Res Public Health. 2018;15(5):1000. https://doi.org/10.3390/ijerph15051000


Indexadores

Todos os Direitos Reservados © Revista Brasileira de Medicina do Trabalho