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REVISÕES SISTEMÁTICAS E METANÁLISE

Efeitos do exercício físico no ambiente de trabalho no tratamento da dor lombar: uma revisão sistemática com metanálise

Effects of physical exercise at the workplace for treatment of low back pain: a systematic review with meta-analysis

Roberto Rodrigues Bandeira Tosta Maciel; Natasha Cordeiro dos Santos; Daniel Deivson Alves Portella; Priscila Godoy Januário Martins Alves; Bruno Prata Martinez

DOI: 10.5327/Z1679443520180133

RESUMO

CONTEXTO: A dor lombar apresenta alta prevalência na população economicamente ativa, promovendo a diminuição da capacidade produtiva, absenteísmo, prejuízos à qualidade de vida e afastamento previdenciário. Medidas diversas têm sido adotadas no intuito de diminuir esse infortúnio laboral, destacando-se a prática de exercício físico no ambiente de trabalho.
OBJETIVO: O objetivo desta revisão foi identificar estudos que utilizaram o exercício físico realizado no ambiente laboral para tratamento da dor lombar.
MÉTODOS: Trata-se de uma revisão sistemática com metanálise. Foi realizada busca eletrônica na base de dados MEDLINE utilizando os descritores “workplace”; “ low back pain” e “ exercise” e os respectivos sinônimos e palavras-chaves identificados nos Descritores em Ciências da Saúde e no Medical Subject Headings.
RESULTADOS: Foram considerados todos os estudos que adotaram exercício físico no ambiente de trabalho e possuíam desfechos relacionados à dor lombar. Foram encontrados 499 estudos em potencial, resultando na inclusão final de 15 artigos. O tempo de tratamento variou de 3 semanas a 18 meses, e as principais intervenções foram exercícios de força, alongamentos e relaxamento muscular.
CONCLUSÃO: A metanálise demonstrou que não há efeito do exercício físico no ambiente de trabalho na redução da percepção da dor lombar (diferença entre médias=0.62, CI95%, -0.8,2.04; p<0.4). Esta revisão sistemática foi registrada no PROSPERO, sob protocolo CRD42017071563.

Palavras-chave: ambiente de trabalho; dor lombar; exercício.

ABSTRACT

BACKGROUND: The prevalence of low back pain is high among the economically active population. Low back pain reduces productivity and causes absenteeism, impaired quality of life and leaves of absence. Several measures were suggested to reduce the occurrence of this occupational condition, among which physical exercise at the workplace stands out.
AIM: To analyze studies which assessed physical exercise at the workplace for treatment of low back pain.
METHODS: The present study consisted of a systematic review with meta-analysis. An electronic search was conducted on database MEDLINE using keywords “workplace,” “low back pain” and “exercise,” synonyms and headings located on Health Sciences Descriptors and Medical Subject Headings. We considered all the studies that included physical exercise at the workplace and defined low back pain as outcome.
RESULTS: We located 499 potential studies and finally included 15 for review. The duration of treatment varied from 3 weeks to 18 months, and the main interventions were strength and stretching exercises and muscle relaxation.
CONCLUSIONS: The meta-analysis showed that physical exercise at the workplace did not reduce the occurrence of low back pain (difference of means=0.62, 95%CI -0.8-2.04, p<0.4). The present systematic review was registered in database PROSPERO, registration number CRD42017071563.

Keywords: workplace; low back pain; exercise.

INTRODUÇÃO

A dor lombar pode ser definida como uma dor entre a parte inferior das costelas e a dobra glútea1 que apresenta elevada prevalência: aproximadamente 84% dos adultos irão manifestar dor lombar em algum momento da vida2. Uma revisão sistemática3 avaliou a literatura existente que reporta dados sobre a ocorrência de lombalgia na população brasileira, sendo possível identificar que muitos relatos de episódios crônicos da patologia (14,7%) foram registrados em uma cidade com maior frequência de indivíduos não brancos, de classe social inferior, baixa escolaridade, obesos e sedentários, quando comparada com outra cidade com população majoritariamente branca e com melhores indicadores socioeconômicos e de saúde (prevalência variando entre 4,2 e 9,6%).

Em populações de trabalhadores brasileiros, a prevalência de dor lombar é bastante variável, de acordo com o período de ocorrência e a atividade ocupacional exercida. Um estudo4 com 410 motoristas de caminhão, no Brasil, todos do sexo masculino, identificou uma prevalência de dor lombar de 59%. Outro estudo5, com 61 trabalhadores envolvidos no transporte de pacientes, identifica uma prevalência de 11,9% (período de sete dias) e 59% (período de um ano). Considerando trabalhadores de escritório, um estudo6 com 505 funcionários de uma universidade pública no Brasil indicou que 19,4% deles possuíam dor lombar.

A etiologia da dor lombar apresenta natureza multifatorial, incluindo, além de fatores sociais e psíquicos, fatores de risco, tais como excesso de peso7, baixo nível de atividade física e atividade laboral exercida8, que inclui o levantamento de pesos e movimentos repetitivos3. O tratamento de pacientes com dor lombar baseia-se principalmente na reabilitação, que inclui exercícios físicos, procedimentos manuais e farmacoterapia9. As evidências apontam que o exercício físico se destaca na prevenção e no tratamento da dor lombar, uma vez que, além de contribuir na redução dos sinais e sintomas de dor, melhora o estado funcional10.

A prática de exercícios físicos no ambiente de trabalho consiste em uma estratégia de intervenção promovida com o intuito de prevenir lesões ocupacionais de etiologia musculoesquelética. São realizados, via de regra, exercícios de fortalecimento e alongamento musculares, além de outras práticas corporais que envolvem coordenação motora e relaxamento muscular11,12. Entretanto, a relevância de intervenções com o intuito de prevenir essas lesões no trabalho pode ser questionável quanto a sua real efetividade para contribuir com a redução de casos de lombalgia. Para trabalhadores que apresentam queixas no sistema musculoesquelético, assim como para aqueles que desempenham atividades ocupacionais de maneira repetitiva, o exercício físico realizado no ambiente de trabalho pode proporcionar benefícios diversos, como melhora da produtividade, sensação de valorização profissional, além de, teoricamente, prevenir lesões musculoesqueléticas. Diversos autores descrevem esses efeitos13,14, no entanto tais asserções têm sido contestadas15.

Apesar dos reconhecidos efeitos da prática do exercício físico na melhora de quesitos identificados como pertencentes à aptidão física, como força e flexibilidade musculares, no Brasil não há obrigatoriedade legal para a prática de qualquer modalidade de exercício físico no ambiente de trabalho. Perante o exposto, empreendeu-se uma revisão sistemática com metanálise objetivando identificar estudos que avaliaram a utilização do exercício físico realizado no ambiente laboral no tratamento da dor lombar.

 

MÉTODOS

Trata-se de uma revisão sistemática com metanálise baseada na recomendação PRISMA, utilizando a base de dados eletrônica MEDLINE, via Pubmed. A busca eletrônica aconteceu entre maio de 2017 e setembro de 2017 e fez uso de palavras-chaves referentes ao ambiente de trabalho, à prática de exercício físico e à dor lombar, acrescidas dos operadores booleanos “or” e “and”, utilizando para tal os descritores “workplace” e “exercise”, identificados nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e no Medical Subject Headings (Mesh). A busca eletrônica foi efetivada por meio das palavras encontradas nos títulos, assuntos e resumos dos artigos. Não houve restrição em relação ao ano da publicação ou idioma, nem em relação ao tempo de seguimento. A dor lombar foi definida como uma dor entre a parte inferior das costelas e a prega glútea. Houve a identificação do desfecho lombalgia nos estudos. O protocolo das etapas de construção da presente revisão sistemática foi registrado na International Prospective Register of Systematic Reviews (PROSPERO), sob o protocolo número CRD42017071563.

ESTRATÉGIA DE BUSCA

Para esta revisão sistemática foi utilizada uma combinação abrangente de palavras-chaves que atendessem à pergunta de investigação. A estratégia de pesquisa incorporou as recomendações para um resultado com alta sensibilidade (aproximadamente 99%) e moderada especificidade (aproximadamente 70%) para a recuperação de ensaios clínicos16: “Search ((((((clinical[Title/Abstract] AND trial[Title/ Abstract]) OR clinical trials as topic[MeSH Terms] OR clinical trial[Publication Type] OR random*[Title/Abstract] OR random allocation[MeSH Terms] OR therapeutic use[MeSH Subheading])))) AND ((((((workplace) OR working environment) OR work location) OR work place) OR work-site) OR worksite)) AND ((((((exercise) OR exercise therapy) OR therapy, exercise) OR gymnastics) AND (exercise movement and techniques)) OR muscle stretching exercises)”.

QUESTÃO DA REVISÃO

Esta revisão objetivou avaliar o efeito da prática de exercícios físicos realizados dentro do ambiente de trabalho no tratamento de dor lombar.

CRITÉRIOS DE INCLUSÃO

Os estudos seguiram os seguintes critérios para serem incluídos nesta revisão:

• ensaios clínicos que envolviam a prática de exercícios físicos realizados dentro do ambiente de trabalho;

• estudos que tinham como objetivo analisar a melhora de sintomas de dor na região lombar da coluna ou mudanças na ocorrência de casos;

• estudos que incluíam outros procedimentos associados ao exercício físico, tais como orientações ergonômicas e/ou práticas corporais.

CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO

Os critérios de exclusão corresponderam aos aspectos metodológicos:

• estudos que não especificaram os critérios de elegibilidade;

• estudos nos quais os sujeitos não foram aleatoriamente distribuídos por grupos;

• estudos nos quais os grupos não eram semelhantes no que diz respeito aos indicadores de prognósticos mais importantes;

• estudos que não apresentaram resultados das comparações estatísticas intergrupos descritos para, pelo menos, um resultado-chave.

COLETA DE DADOS

Os artigos relevantes foram selecionados primeiramente pelo rastreio de títulos e resumos, passando para a etapa da leitura dos artigos na íntegra, coletados por meio de pesquisas em banco de dados.

Primeiramente foi feita a leitura exploratória de todo o material selecionado e, posteriormente, a leitura seletiva e analítica mais aprofundada das partes que realmente interessavam. Em seguida, houve o registro das informações extraídas dos artigos (autores, título, revista, ano, resumo e conclusões) com a finalidade de ordenar e sumariar o material, de forma que possibilitasse a obtenção de informações relevantes à pesquisa.

O processo de identificação dos aspectos metodológicos e a extração de dados dos artigos foram empreendidos por dois revisores independentes. Na ocorrência de alguma discordância entre eles, o artigo era lido novamente, na íntegra, para reavaliação. Em caso de manutenção de divergência, um terceiro revisor independente realizava nova avaliação. Finalmente, uma metanálise foi realizada usando o software Review Manager Analysis (RevMan 5.3), da Cochrane Collaboration. Os efeitos foram resumidos usando diferenças entre médias com intervalos de confiança de 95% por meio de um modelo de efeitos aleatórios. A heterogeneidade foi avaliada utilizando a estatística I2.

 

RESULTADOS

A busca inicial resultou em 499 artigos. Desse total, 443 estudos foram excluídos a partir da leitura do título e/ou do resumo, restando, portanto, 56 trabalhos, que foram lidos na íntegra. Após aplicação dos critérios de inclusão, 15 estudos foram considerados nesta revisão (Figura 1). Desses, somente 5 (33,3%) apresentaram escore igual ou superior a 7 na escala PEDro (Quadro 1).

 


Figura 1. Seleção de ensaios controlados aleatorizados a partir da busca eletrônica, Salvador, 2017.

 

 

 

Os 15 artigos foram lidos de forma analítica e seletiva, conforme demonstrado no Quadro 1. Foram consideradas as seguintes informações relevantes: primeiro autor; ano da publicação; população da pesquisa; atividades realizadas com o grupo intervenção e o grupo controle; o tempo total da intervenção; os desfechos avaliados; os métodos de avaliação utilizados; os métodos de análise; os resultados; e por fim o escore na Escala PEDro. Além disso, os 15 artigos foram analisados quanto ao aspecto metodológico, avaliando se houve intenção de tratar; cegamento; aleatoriedade; comparação entre grupos e medidas de precisão (Quadro 2).

 

 

Metanálise das medidas de desfecho: pelas características dos estudos e medidas de desfecho, foram agregados os resultados de cinco estudos (n=483) em uma metanálise. Os efeitos foram resumidos usando a diferença média com intervalos de confiança de 95% por meio de um modelo de efeito aleatório. Os resultados agregados desses estudos sugeriram que a percepção da intensidade da dor não foi diferente entre os grupos (diferença entre médias=0.62, CI95%, -0.80, 2.04; p<0.4) (Figura 2).

 


Figura 2. Intervenção no ambiente de trabalho que envolve exercício físico vs. controle, Salvador, 2017.

 

Em que pese não se ter considerado a fonte de financiamento como risco de viés, identifica-se que somente Kim et al. (2015)29 e Brandt et al. (2015)30 declararam não ter utilizado nenhuma fonte de financiamento. Pillastrini et al. (2009)21 e Mayer et al. (2015)28 não fazem qualquer citação em relação a fontes de financiamento e declarações de conflitos de interesses.

 

DISCUSSÃO

As principais intervenções descritas para o tratamento da dor lombar foram os exercícios de fortalecimento e flexibilidade, bem como as técnicas de relaxamento, não tendo sido usual a intervenção consistindo apenas de exercícios físicos realizados de maneira isolada.

Apesar dos reconhecidos efeitos da prática do exercício físico na melhora de quesitos considerados pertencentes à aptidão física, como força e flexibilidade musculares, não há obrigatoriedade legal, no Brasil, para a prática da ginástica laboral ou outras modalidades de exercício físico no ambiente de trabalho. Em contrapartida, a legislação brasileira institui parâmetros que permitem a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores estabelecendo, para isso, requisitos mínimos de conforto no local de ocupação, além de incluir pausas não deduzidas durante a jornada de trabalho.

Vale ressaltar que o resultado da implantação de práticas corporais no ambiente de trabalho vai além dos efeitos no sistema musculoesquelético. Um estudo que acompanhou trabalhadores canadenses, ao longo de doze anos, inseridos em um programa de atividade física observou discretos benefícios sobre a condição física, porém com ganhos substanciais em produtividade e diminuição do absenteísmo, constatando assim o efeito Hawthorne nesse grupo de trabalhadores.

Telles et al.17, em estudo envolvendo 162 digitadores profissionais submetidos à programa de Yoga e grupo controle durante oito semanas, identificaram maior desconforto musculoesquelético nesse último. Os autores atribuem esses achados principalmente ao fato de o grupo ter sido privado de prática corporal, demonstrando que os cuidados com a saúde do trabalhador envolvem também o reconhecimento do profissional e sua inclusão em atividades sociais. Em estudo clínico randomizado controlado de Kamioka et al.18, o programa de exercício de alongamento utilizado não foi capaz de diminuir a incidência de dor lombar, bem como não promoveu o incremento da força de preensão. É possível, contudo, que o baixo número de participantes possa ter ocasionado um erro do tipo II.

Outros dados, como a análise do custo efetividade da intervenção, devem ser considerados. Lindstrom-Hazel32, ao analisar o custo efetividade do exercício físico associado a orientações ergonômicas, concluiu que essas intervenções são economicamente atraentes. Del Pozo-Cruz et al.19, ao estabelecerem a prescrição de exercício via website com trabalhadores de escritório na Espanha, concluíram que é possível reduzir em 500 euros o custo social dos episódios de dor lombar. Além disso, perceberam que a mesma intervenção pode ser mais ou menos eficaz, de acordo com a metodologia da prescrição do exercício físico e a forma com que as orientações são fornecidas ao trabalhador.

Em contrapartida, modalidades distintas de prescrição de exercício físico associadas a medidas educativas podem ser igualmente eficazes, conforme observado no estudo de George et al.33 envolvendo grupos de militares que realizaram exercícios físicos específicos no intuito de prevenir a dor lombar. Esse trabalho, no entanto, não foi considerado nesta revisão em virtude de suas particularidades, que incluíam indivíduos jovens, militares, e, portanto, seus resultados não podem necessariamente ser aplicados para a população em geral. Da mesma maneira, não foi considerado o estudo de Suni et al.34 também envolvendo militares, que apontou os benefícios da orientação postural e exercícios de fortalecimento específicos para a musculatura lombar.

Quanto à frequência do treinamento, duas sessões de exercícios semanais parecem surtir efeitos na redução de episódios de dor lombar, conforme identificado por Alexandre et al.20. Em estudo de Pillastrini et al.21, que envolveu professoras de escolas infantis, aleatorizadas por cluster e cegadas para o estudo, duas sessões semanais, com intervalo de dois dias entre as sessões, durante três semanas, mostraram-se efetivas para a redução da dor lombar e para a melhora da capacidade física cujos efeitos persistiram durante o follow-up, sugerindo que a modalidade da intervenção, mais que o tempo de intervenção e o número de sessões, pode representar o principal aspecto a ser considerado na implantação de um programa de exercício físico no ambiente laboral. Os exercícios de fortalecimento e alongamento muscular são viáveis e eficazes no ambiente de trabalho. Ademais, as orientações posturais e o conhecimento acerca da etiologia e da patogenia da dor lombar são medidas preventivas recomendadas.

Os estudos também foram avaliados de acordo com os critérios de qualidade: intenção de tratar; cegamento; aleatoriedade; comparação entre grupos; medidas de precisão. Todos os artigos fizeram uma comparação entre os grupos e os resultados encontrados no pré-teste e no pós-teste, cotejando grupos intervenções e controle. Dos 15 estudos incluídos nesta revisão, 4 (26,7%) tinham escore na escala PEDro igual a 04/10, e 5 (33,3%), escore na escala PEDro igual a 05/10. Adicionalmente, o tempo de intervenção variou entre 3 semanas e 18 meses. A baixa qualidade metodológica da maioria dos estudos associada à grande variabilidade das intervenções pode ser um importante limitador metodológico para a busca da evidência.

Nas pesquisas em que foi realizada a análise com intenção de tratar, os indivíduos continuaram sendo acompanhados pelos profissionais envolvidos no estudo, independentemente do que ocorrera com cada um deles18,19,23,24,27,28. Dos cinco estudos selecionados para a análise de medidas agrupadas, somente dois realizaram análise por intenção de tratar, o que permite compreender em parte a elevada heterogeneidade encontrada (I2=93%). A maioria dos artigos descreve ter sido feito cegamento18,19,21-29. Quanto à limitação da presente revisão sistemática, tem-se a utilização de apenas uma base de dados na coleta dos artigos, assim como a busca eletrônica, que pode ser considerada limitada para o tratamento da dor lombar. Outro ponto fraco deste estudo foi a não avaliação de todos os desfechos propostos inicialmente. A pretensão era estudar o desfecho absenteísmo, todavia este não foi incluído na avaliação, caracterizando um desvio de protocolo. Por fim, não foi realizada a análise de sensibilidade. A alta heterogeneidade encontrada neste estudo (I2=93%) foi atribuída à inerente diferença metodológica das intervenções e ao perfil sociodemográfico de estudos que envolvem as populações de trabalhadores.

 

CONCLUSÕES

A incapacidade funcional decorrente da dor lombar no ambiente laboral resulta em diminuição de produtividade e absenteísmo. Entre as medidas para prevenir esse infortúnio laboral, destaca-se a prática de exercício físico no ambiente de trabalho. Todavia, os resultados desta revisão sistemática com metanálise não demonstraram que o exercício físico pode ser uma opção de prática corporal eficaz no ambiente de trabalho para a redução da percepção da dor lombar. Fica a sugestão da necessidade de outras revisões sistemáticas de múltiplas comparações de ensaios clínicos controlados aleatorizados que permitam comparar as diversas intervenções realizadas no ambiente de trabalho para redução da dor lombar.

 

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Recebido em 20 de Novembro de 2017.
Aceito em 1 de Maio de 2018.

Fonte de financiamento: nenhuma


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