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ARTIGO DE REVISÃO

Estresse ocupacional no ambiente hospitalar: revisão das estratégias de enfrentamento dos trabalhadores de Enfermagem

Occupational stress in hospital settings: review of coping strategies of nursing professionals

Rafaella Cristina Souza1; Silmar Maria Silva2; Maria Lucia Alves de Sousa Costa1

DOI: 10.5327/Z1679443520180279

RESUMO

INTRODUÇÃO: O processo de trabalho da Enfermagem pode contribuir para o estresse ocupacional, visto que é um trabalho que demanda muita atenção e responsabilidade. Para superar os estressores presentes no ambiente de trabalho são empregadas estratégias de enfrentamento do estresse, que são maneiras como o indivíduo lida com o estresse, minimizando os efeitos dos estressores no organismo, visando ao bem-estar físico e emocional.
OBJETIVO: Identificar as estratégias de enfrentamento do estresse ocupacional dos trabalhadores de Enfermagem no ambiente hospitalar, por meio de uma revisão bibliográfica.
MÉTODO: Pesquisa bibliográfica nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Base de Dados de Enfermagem (BDENF), por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO).
RESULTADOS: Foram selecionados 25 artigos, sendo 14 com abordagem quantitativa, 9 qualitativas e 2 quanti-qualitativas. As estratégias de enfrentamento encontradas na literatura foram classificadas de acordo com a escala Estratégias de Coping Ocupacional, que classifica em três categorias o modo como os indivíduos lidam/enfrentam os problemas do ambiente de trabalho: controle, esquiva e manejo de sintomas. Assim, foram encontradas, na literatura pesquisada, quatro estratégias de controle, oito de esquiva e sete de manejo de sintomas.
CONCLUSÃO: As estratégias de controle foram avaliadas como eficazes para o enfrentamento do estresse.

Palavras-chave: adaptação psicológica; estresse psicológico; enfermagem.

ABSTRACT

BACKGROUND: The nursing work process might contribute to the development of occupational stress, as it demands considerable attention and responsibility. Workers have resource to strategies to cope with stressors in the workplace. Coping strategies are ways to manage stress and minimize the effects of stressors to preserve the physical and emotional well-being.
OBJECTIVE: To identify through a literature review the strategies to cope with occupational stress adopted by hospital nursing professionals.
METHOD: A literature search was conducted in databases Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (LILACS) and Nursing Database (BDENF) via Virtual Health Library (VHL) and Scientific Electronic Library Online (SciELO).
RESULTS: Twenty-five studies were selected, 14 with quantitative, 9 with qualitative, and 2 with quantitative–qualitative approach. The located coping strategies were categorized according to the Coping with Job Stress (CJS) scale which classifies ways to cope with problems in the workplace under three categories: control, escape and symptom management. On these grounds, our literature review identified 4 control, 8 escape and 7 symptom management strategies.
CONCLUSIONS: Control strategies were considered efficacious to manage stress.

Keywords: adaptation, psychological; stress, psychological; nursing.

INTRODUÇÃO

O processo de trabalho de Enfermagem pode ser permeado pelo ritmo acelerado de trabalho; pela insuficiência de profissionais, o que gera sobrecarga de tarefas; pela necessidade de realizar as atividades rapidamente e com tempos de pausa reduzidos; pela falta de autonomia; pela autoridade institucional excessiva; pela supervisão estrita da chefia; e pela falta de comunicação, culminando em sobrecarga psíquica em virtude do estresse crônico1.

O estresse é toda pressão ou acúmulo de pressões, seja de ordem física ou psicológica, causado por um estressor, que acarreta o desequilíbrio de um indivíduo. Trata-se de uma resposta adaptativa do indivíduo, de reação em uma situação emergencial. Os estressores podem ser externos (fontes externas de estresse que afetam o indivíduo, por exemplo, a profissão) ou internos (fontes internas de estresse determinadas pelo próprio indivíduo, como seu próprio modo de ser)2.

Em doses baixas, o estresse é desejável e benéfico ao trabalhador, pois pode aumentar a disposição, o interesse, o entusiasmo e a atenção e, com isso, a produtividade. Porém, em doses excessivas, pode se tornar maléfico ao trabalhador, uma vez que gera fadiga, irritabilidade, depressão, falta de concentração, interferindo negativamente no ambiente de trabalho e, consequentemente, diminui a produtividade2.

Estresse ocupacional é um processo em que o indivíduo compreende as demandas/exigências do trabalho como estressores, ultrapassando sua capacidade de enfrentamento e desencadeando respostas negativas3. Pode estar associado à redução da produção e da qualidade do trabalho, ao aumento do absenteísmo (da falta não programada) e à rotatividade dos profissionais e ao surgimento de acidentes de trabalho, podendo gerar prejuízos financeiros à instituição e danos à saúde dos trabalhadores, além de comprometer a qualidade da assistência prestada4.

O processo de trabalho da Enfermagem pode contribuir para o estresse ocupacional, visto que é um trabalho que demanda muita atenção e responsabilidade5. A dupla jornada de trabalho vivenciada por alguns profissionais favorece o aparecimento do cansaço e reduz o tempo do autocuidado do profissional; provoca sobrecarga nas relações interpessoais entre profissionais, pacientes e familiares; prestar assistência em setores onde o trabalho é desgastante e realizar procedimentos complexos; resulta em menor número de profissionais de enfermagem; disponibiliza menos tempo para execução de tarefas e proporciona escassez de materiais6.

O estresse no trabalho da enfermagem é uma realidade, e para superar as situações estressantes são empregadas estratégias de enfrentamento7. Essas estratégias são conhecidas como coping, termo da língua inglesa8.

Estratégias de enfrentamento são estratégias empregadas pelo indivíduo, de ordem cognitiva, comportamental ou emocional, para controlar situações de estresse e manter a integridade mental e física. Sendo assim, são maneiras que o indivíduo lida com o estresse, minimizando os efeitos dos estressores no organismo, visando ao bem-estar físico e emocional9.

As estratégias de enfrentamento são separadas em duas categorias: enfrentamento focado na emoção e enfrentamento focado no problema. O primeiro consiste no controle das emoções pelo indivíduo desencadeadas com o evento estressante, por exemplo, discutir sobre os sentimentos com alguém. Já o segundo é a procura de resolução para o problema que causa o estresse, por exemplo, buscar orientação para resolver um problema. As estratégias podem ser usadas conjuntamente para combater o estressor10.

Diante do exposto, com vistas a trazer contribuições para o conhecimento sobre os métodos e as estratégias de enfrentamento dentro do contexto laboral hospitalar, este estudo objetivou identificar as estratégias de enfrentamento do estresse ocupacional dos trabalhadores de Enfermagem no ambiente hospitalar, por meio de uma revisão bibliográfica.

 

MÉTODO

Trata-se de uma revisão bibliográfica, descritiva, com análise qualitativa dos dados. A pesquisa foi realizada nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Base de Dados de Enfermagem (BDENF), por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), e na Scientific Electronic Library Online (SciELO).

O levantamento bibliográfico, realizado entre maio e junho de 2017, foi conduzido pela pergunta "Quais estratégias de enfrentamento do estresse ocupacional os trabalhadores de enfermagem utilizam no ambiente hospitalar?", e pela seleção dos seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): "Adaptação Psicológica"; "Estresse Psicológico"; "Esgotamento Profissional"; "Auxiliares de Enfermagem"; "Recursos Humanos de Enfermagem"; "Recursos Humanos de Enfermagem no Hospital"; "Equipe de Enfermagem"; "Enfermagem"; "Técnicos de Enfermagem"; e "Saúde do Trabalhador".

A busca, tanto na BVS quanto na SciELO, ocorreu por meio da combinação dos descritores, totalizando 21 combinações possíveis. Para cada combinação foram aplicados os critérios de inclusão: artigo publicado entre os anos de 2007 e 2017; disponível para acesso na íntegra on-line; e no idioma português. Os critérios de exclusão foram: teses, dissertações e informativos, bem como os artigos de revisão sistemática ou integrativa, duplicados, sem relação com a temática, em outros ambientes de trabalho ou outras categorias profissionais.

Assim, a somatória das publicações encontradas na BVS, por meio das 21 combinações possíveis, totalizou 33.878 publicações. Ao inserir os critérios de inclusão, reduziu para 1.631 publicações, e após a inserção dos critérios de exclusão, foram selecionadas 37 publicações.

Os mesmos critérios foram utilizados na SciELO. Assim, diante das 21 combinações possíveis realizadas com os descritores, foram encontradas 402 publicações. Após os critérios de inclusão, permaneceram 347 publicações, e após os critérios de exclusão, foram selecionadas 3 publicações.

Ao final desse levantamento, ao somar as publicações da BVS e da SciELO, haviam 40 artigos. Posteriormente, foi feita a leitura do título e do resumo de todo o material encontrado, por cada autor do estudo, com vistas a identificar as estratégias de enfrentamento. Assim, foram selecionados 25 artigos que respondiam ao objetivo desta pesquisa, excluindo-se 15 publicações.

 

RESULTADOS

Foram selecionados 25 artigos, sendo 14 com abordagem quantitativa, nove qualitativas e duas quanti-qualitativas (Quadro 1).

 

DISCUSSÃO

A fim de categorizar os resultados, as estratégias de enfrentamento encontradas nas publicações selecionadas na coleta de dados foram classificadas de acordo com a escala "Estratégias de Coping Ocupacional" (ECO).

A escala ECO, instrumento formulado para mensurar o coping no ambiente ocupacional, foi adaptada para o Brasil em 200336. Ela é constituída de 29 itens relacionados ao modo como os indivíduos lidam/enfrentam os problemas do ambiente de trabalho, classificados em 3 categorias: controle (11 itens), esquiva (9 itens) e manejo de sintomas (9 itens)17.

A categoria controle engloba as ações e as reavaliações de enfrentamento ou confronto com o estressor; a esquiva inclui ações de conteúdo escapista relativas a ações e reavaliações que sugerem fuga ou distanciamento do problema; e o manejo de sintomas engloba as estratégias de relaxamento ou as atividades físicas como forma de enfrentamento do estresse37.

 

ESTRATÉGIAS DE CONTROLE NO ENFRENTAMENTO DO ESTRESSE OCUPACIONAL

Entre as estratégias de controle citadas nas publicações, a resolução de problemas foi a mais encontrada. Nessa estratégia, o trabalhador percebe as demandas do ambiente e se mobiliza para tentar modificar a situação estressante como forma de enfrentamento. Na análise dos resultados encontrados na revisão bibliográfica, é possível concluir que a resolução de problemas é uma estratégia efetiva para enfrentamento e repercute em baixos níveis de estresse12,14-17,25-29,34,35.

Porém, em uma pesquisa realizada na unidade de hemato-oncologia com 18 enfermeiros, observou-se que a intensidade do estresse foi aumentada com o uso dessa estratégia, visto que a hemato-oncologia inclui características como cronicidade, instabilidade do quadro clínico e repercussões emocionais envolvidas, que são fatores que dificultam a proatividade do enfermeiro para resolução dos problemas18.

Outra estratégia largamente evidenciada é a busca de suporte social. Nessa estratégia, o trabalhador busca apoio instrucional, emocional e/ou informacional no ambiente de trabalho, recorrendo às pessoas do seu meio social. Analisando as bibliografias, é possível constatar que a busca de suporte social é uma estratégia eficaz de enfrentamento, e que não repercute negativamente na assistência ao usuário do serviço. O diálogo gera alívio ao profissional, diminuindo a tensão provocada pelo estresse vivenciado12-16,20,25-27,29,34. Contudo, em uma pesquisa realizada com uma equipe de Enfermagem que atua com potenciais doadores de órgãos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), é mencionado que o apoio não é disponibilizado pela instituição e pela maioria dos hospitais, pois não conta com profissional especializado para atender aos profissionais20.

A estratégia reavaliação positiva refere-se às estratégias cognitivas para aceitação da realidade, em que o indivíduo procura aspectos que aliviem a situação estressante ou se foca nos aspectos positivos para reduzir a carga emotiva da situação, redirecionando o estressor. Em uma pesquisa realizada com uma equipe de Enfermagem que atua com potenciais doadores de órgãos em UTI, é mencionado, na perspectiva dos profissionais que usam essa estratégia, que a doação de órgãos de pessoas em morte encefálica é vista como possibilidade de vida para o receptor, trazendo para a equipe a sensação de que sua atuação não foi em vão20. Profissionais que usam essa estratégia conseguem lidar com o estresse de forma eficaz, evitando que haja interferência do estresse no desempenho do trabalho e na vida pessoal12,15,16,20,24-27,29,30,35.

Foi encontrada também a estratégia de coping ativo, que visa basicamente resolver a situação estressora, em que se elabora formas de resolução. A utilização desse mecanismo de enfrentamento pode estar relacionada à formação acadêmica dos profissionais e à existência de um bom suporte social24.

 

ESTRATÉGIAS DE ESQUIVA NO ENFRENTAMENTO DO ESTRESSE OCUPACIONAL

Entre as estratégias de esquiva citadas nas publicações, a fuga/evitamento dos problemas foi a mais encontrada. Nessa estratégia, o profissional tem o intuito de reduzir a sensação desagradável que está sendo causada pelo estressor, no qual o indivíduo evita pensar e falar a respeito, evitando os sentimentos que a situação pode lhe causar, mas sem modificar o estressor. Profissionais que usam essa estratégia conseguem lidar com o estressor, distanciando-se do problema no qual não tem muito recurso para enfrentar, de modo a manter o controle da situ ação12,16,18-22,25-28,33,34. Contudo, em uma pesquisa realizada com uma equipe de Enfermagem que atua com potenciais doadores de órgãos em UTI, é mencionado que essa estratégia pode gerar repressão de sentimentos, causando fadiga, estresse e cansaço20.

Reforçar a atenção no trabalho também foi uma estratégia citada, sendo conhecida como aceitação de responsabilidades. Nessa estratégia, o profissional reconhece seu papel no problema, aceita a realidade da situação e inicia o processo de lidar com a situação estressante por meio do engajamento no cuidado ao paciente, buscando a fuga do sofrimento. Trabalhadores que usam essa estratégia de enfrentamento conseguem lidar de forma eficaz com o estresse, de forma que este não interfira na qualidade do trabalho e na vida pessoal16,19,26,27,29,30. Contudo, em uma pesquisa realizada com uma equipe de Enfermagem que atua com potenciais doadores de órgãos em UTI, é mencionado que essa estratégia nem sempre é uma intervenção efetiva no enfrentamento do estresse, pois pode ser uma forma de evitar encarar o problema20.

Na estratégia barreira emocional, o trabalhador procura não desenvolver vínculo afetivo com os pacientes e familiares, priorizando realizar as atividades de assistência na reabilitação do paciente, de forma a evitar sofrimento. A falta da criação de vínculo é uma forma de defesa contra o estresse, pois é uma maneira de se distanciar da situação vivenciada pelo paciente e sua família, reduzindo o próprio sofrimento13,19,31,34. Emum estudo realizado com enfermeiros de UTI é mencionado que os enfermeiros que se afastam dos pacientes quando deparam com a morte iminente é pelo motivo de não estarem preparados para enfrentar a morte, e porque nos cursos de graduação o foco do ensino está voltado a curar, salvar vidas, prevenir doenças e promover saúde31.

Recorrer à chefia de Enfermagem ou a outros profissionais da equipe multiprofissional para se desvencilhar da responsabilidade foi uma estratégia encontrada, mas pouco citada (apenas em dois artigos). A fim de minimizar os fatores estressantes do ambiente de trabalho, o profissional de Enfermagem encaminha o problema causador do estresse para outro profissional solucionar, muitas vezes o enfermeiro responsável pelo setor ou a diretoria de Enfermagem28.

O afastamento temporário do ambiente de trabalho é uma estratégia na qual os trabalhadores de Enfermagem se afastam da atividade no setor por alguns momentos, como forma de distração e reorganização psicológica frente ao problema causador do estresse. É uma estratégia eficaz de enfrentamento, de acordo com uma pesquisa feita com equipes de Enfermagem em setores fechados, de forma que os ajuda a lidar com o acontecimento estressor, impedindo que interfira no trabalho e na vida pessoal dos profissionais30.

A estratégia de negação e banalização do sofrimento é a resistência em reconhecer a própria dor e o sofrimento do próximo para não se abalar emocionalmente e no momento em que a exposição desse afeto pode representar uma situação constrangedora. Essa estratégia não apresenta eficácia para redução do estresse, pois o profissional se oculta atrás do procedimento técnico e não se mostra como ser humano19.

A estratégia de racionalizar o problema, por meio de uma interpretação simples e lógica, acarreta na redução da angústia, do medo e da insegurança em situações referentes ao trabalho, por exemplo, lidar com a morte19.

A troca de setor/desistência da profissão é ocasionada em razão da alta carga de estresse que extrapola a tolerância do trabalhador e gera consequências no ambiente de trabalho e na vida pessoal, motivando-o a tomar tal decisão19.

 

ESTRATÉGIAS DE MANEJO DE SINTOMAS DE ESTRESSE OCUPACIONAL

Entre as estratégias de manejo de sintomas citadas nas publicações, a estratégia de autocontrole foi a mais encontrada. Nela, o profissional faz uma análise da situação para decidir a conduta a ser tomada, para assim abster-se de atitudes impulsivas e desnecessárias que poderiam se tornar motivo de culpa e sofrimento, de forma a preservar-se. Faz-se o controle dos próprios sentimentos e ações quando ocorre o estímulo estressor, de forma a administrar seu comportamento12.

Essa estratégia é uma tentativa individual de enfrentamento das situações adversas e estressantes que ocorrem no ambiente de trabalho, minimizando o estresse11,19,26,27,35.

Um estudo realizado com profissionais da equipe de Enfermagem de unidades de emergência de um hospital de grande porte mostrou que a estratégia de autocontrole é indispensável nessa unidade, pois as situações são imprevistas e requer tomada de decisão efetiva16.

A prática de lazer é uma estratégia utilizada pelos profissionais de Enfermagem. O desenvolvimento de práticas alternativas, como o lazer para o relaxamento, favorece a saúde mental do trabalhador, contribuindo para o alívio do estresse e da fadiga provocados pelas situações desgastantes no cotidiano laboral13. Essa estratégia é eficaz no manejo dos estressores vivenciados no ambiente de trabalho, pois promove melhoria na qualidade de vida do profissional e não há consequências negativas no atendimento aos pacientes11,13,29,30.

A prática de atividade física como forma de enfrentamento do estresse é citada como estratégia. O exercício físico auxilia na liberação da tensão, na tentativa de manter o equilíbrio interno34. Contribui para a melhoria da qualidade de vida do indivíduo, auxiliando, em curto prazo, na redução do estresse e da ansiedade31. No decorrer do exercício físico, o corpo secreta endorfinas, promovendo bem-estar e autoestima, atuando como uma terapia em todas as dimensões do ser humano11.

Buscar apoio na religião foi uma estratégia verificada nos artigos. O apego à religião, tendo crença em entidades superiores, ajuda os profissionais a manejarem seu estresse, de forma que representam esperança e fé, atuando como pontos de equilíbrio na situação estressante no trabalho23,34. O apoio na fé tem relação direta com o cuidado prestado ao paciente, interferindo na empatia com este e dimensionando questões existenciais13.

Em um trabalho realizado com enfermeiros de UTI é verificado que as estratégias que atuam como válvulas de escape no manejo do estresse, como a religiosidade, são importantes no cotidiano do trabalho, mas se forem utilizadas como única alternativa para lidar com situações de sofrimento, podem alienar o profissional e causar intensificação do sofrimento31.

Extravasar emoções foi uma estratégia encontrada, mas com ressalvas, pois as conexões familiares resultam em prazer e bem-estar, auxiliando na saúde psicossocial, mas desabafar com familiares é algo que deve ocorrer com cautela, pois os problemas vivenciados no trabalho invadem o espaço familiar e podem acarretar implicações no convívio11.

Técnicas de relaxamento após o término do plantão, como tomar banho e ouvir músicas, são formas alternativas de promoção do relaxamento físico e mental que proporciona sensações de prazer, com consequente alívio do estresse. Essa estratégia é considerada eficaz no alívio do estresse vivenciado no trabalho29,32.

O uso de terapias alternativas, como floral de Bach e Reiki, é empregado no alívio do estresse. Os profissionais de Enfermagem do presente estudo utilizam esses métodos considerados um modo efetivo para aliviar o estresse obtido no ambiente de trabalho, em que é promovido o bem-estar com ações alternativas e humanizadas32.

Alguns autores citam algumas estratégias de enfrentamento, mas não se aprofundam na discussão: manter bom humor; terapia para lidar com a morte dos pacientes; ler livros de autoajuda; meditação; massagem; psicoterapia; aproveitar a companhia da família; e medicações para controle emocional.

 

CONCLUSÃO

As estratégias de controle foram avaliadas como eficazes para o enfrentamento do estresse. As estratégias de esquiva discutidas não são vistas como efetivas para o manejo do estresse, pois atuam somente como fuga do problema e não como uma forma de resolução, e o problema continua a existir. As estratégias de manejo de sintomas são eficazes, mas se forem utilizadas como única alternativa para lidar com situações de sofrimento podem alienar o profissional e causar intensificação do sofrimento, tornando-se não efetivas.

Assim, considerando que as estratégias de enfrentamento dependem das características individuais do profissional e das situações vivenciadas no ambiente ocupacional, a adoção de diversas estratégias é mais eficaz do que o uso de apenas uma, visto que o indivíduo tem mais recursos para enfrentar a situação estressante ao aderir a várias delas.

A impossibilidade de excluir o estresse no cotidiano do profissional de Enfermagem evidencia a importância de se buscar estratégias de enfrentamento dele, na tentativa de conter o dano emocional causado nos trabalhadores. Novas estratégias de coping podem ser aprendidas pelos profissionais e pode ser útil iniciar ou aprofundar a discussão dessa temática entre os profissionais de Enfermagem, de forma a propiciar maior satisfação no trabalho, que, certamente, irá se refletir no cuidado que realizam, melhorando a qualidade da assistência aos pacientes.

Reconhecer as estratégias de coping empregadas pelos trabalhadores de Enfermagem no ambiente hospitalar pode proporcionar a compreensão de como as situações estressoras são enfrentadas pelos diversos profissionais e colaborar na elaboração de ações de educação, a fim de preparar os trabalhadores para usar estratégias que reduzam o estresse no trabalho, uma vez que este e seus efeitos sobre a saúde dos trabalhadores podem ser subestimados, contudo são reais e merecem atenção.

A pesquisa envolvendo apenas artigos publicados em bases nacionais e disponíveis na íntegra foi a limitação deste estudo.

 

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Recebido em 18 de Junho de 2018.
Aceito em 26 de Novembro de 2018.

Fonte de financiamento: nenhuma


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