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ARTIGO ORIGINAL

Estresse ocupacional dos enfermeiros de urgência e emergência de um hospital público de Teresina (PI)

Occupational stress among emergency and urgent care nurses at a public hospital in Teresina, Piaui, Brazil

Rosane da Silva Santana1; Francisco Lucas de Lima Fontes2; Maurício Jose de Almeida Morais2; Gildene da Silva Costa2; Ronnara Kauênia da Silva2; Cynthia Soares de Araújo2; Abigail Laísla Belisário da Silva2; Rosa Irlania do Nascimento Pereira2

DOI: 10.5327/Z1679443520190295

RESUMO

INTRODUÇÃO: Nos serviços de urgência e emergência, o número de profissionais acometidos pelo estresse ocupacional é bastante elevado e tem gerado grande preocupação para a gestão hospitalar. Entre os profissionais de saúde com maior exposição ao estresse ocupacional, os enfermeiros encontram-se como os mais afetados.
OBJETIVO: Verificar o nível de estresse ocupacional dos enfermeiros pela Escala Bianchi na unidade de urgência e emergência de um hospital público de Teresina, Piauí.
MÉTODOS: Estudo transversal descritivo realizado nos meses de novembro de 2016 a janeiro de 2017 em um hospital público de urgências e emergência de Teresina, Piauí. A amostra foi composta de 20 enfermeiros que exercem suas funções nas salas vermelha, amarela, verde e estabilização. Os dados foram coletados utilizando a Escala Bianchi de Stress. Os dados foram inseridos em bancos de dados e processados no software Statistical Package for the Social Sciences, versão 23.0, e foram calculadas estatísticas descritivas.
RESULTADOS: A amostra foi eminentemente feminina (75%), com faixa etária entre 31 e 40 anos (65%), sendo que a maioria apresentava entre 6 e 10 anos (60%) de graduado em enfermagem, 90% com pós-graduação e 70% desenvolvem as atividades na unidade de emergência há mais de 6 anos. Os enfermeiros obtiveram escore individual de estresse entre 2,4 e 5,25. O nível médio de estresse com escore global foi 3,46 com destaque ao domínio A.
CONCLUSÃO: Foi possível constatar que as relações interpessoais nos serviços de urgência e emergência podem ser uma das causas do estresse ocupacional entre os profissionais.

Palavras-chave: emergência; enfermeiros; estresse ocupacional; hospital.

ABSTRACT

BACKGROUND: The number of emergency and urgent care providers with occupational stress is quite large and is a source of concern for hospital managers. Nurses are the professional category most affected among workers exposed to occupational stress.
OBJECTIVE: To investigate the level of occupational stress among emergency and urgent care nurses at a public hospital in Teresina, Piaui, Brazil, by means of the Bianchi Stress Questionnaire.
METHODS: Cross-sectional descriptive study conducted from November 2016 through January 2017 at a public emergency and urgency care hospital in Teresina. The sample comprised 20 nurses allocated to the department red, yellow, green and stabilization zones. Data were collected by means of the Bianchi Stress Questionnaire (BSQ), fed to a database and processed using software Statistical Package for the Social Sciences version 23.0. Analysis consisted of descriptive statics.
RESULTS: Participants were predominantly female (75%) within age range 31 to 40 years old (65%); most had graduated 6 to 10 years earlier (60%), 90% had attended graduate education and 70% had worked at the department for more than 6 years. The global stress score ranged from 2.4 to 5.25, mean 3.46; the highest stress level corresponded to BSQ domain A.
CONCLUSION: Interpersonal relationships in emergency and urgent care departments might be a cause of occupational stress among workers.

Keywords: emergencies; nurses, male; occupational stress; hospitals.

INTRODUÇÃO

As atividades desenvolvidas nas unidades de urgência e emergência exigem competências especializadas dos profissionais de saúde, principalmente pela necessidade de tornar o atendimento ágil e resolutivo1. O estresse ocupacional pode ser desencadeado pelas más condições de trabalho que são ofertadas em muitos serviços de saúde. A alta rotatividade e a demanda de pacientes em situações graves aliadas ao excesso de trabalho, ritmo acelerado, complexidade de atividades e quantitativo reduzido de pessoal podem provocar alterações psicológicas e físicas significativas em muitos profissionais2.

Estudo aponta que, entre os profissionais de saúde com maior exposição ao estresse ocupacional, os enfermeiros encontram-se como os mais afetados. Eles são responsáveis, nas 24 horas do dia, pela assistência direta ao paciente, que vai desde os cuidados de enfermagem até o acompanhamento de alguns procedimentos médicos3. Os enfermeiros são responsáveis pelas atividades de coordenação e supervisão do serviço, desenvolvem atividades de previsão, provisão de recursos materiais, dimensionamento de pessoal, liderança da equipe de trabalho, coordenação do processo assistencial e execução de procedimentos exclusivos de enfermagem e assumem posição de destaque na equipe de saúde, com desenvolvimento de estratégias para qualidade do cuidado4.

Nos serviços de urgência e emergência, o número de profissionais acometidos pelo estresse ocupacional é bastante elevado e tem gerado grande preocupação para a gestão hospitalar. Os sinais mais comuns apresentados pelos enfermeiros foram: baixo desempenho na realização das atividades diárias, desânimo, irritação frequente e absenteísmo. E os mais graves foram: depressão, síndrome metabólica, fadiga crônica, dificuldades de dormir, diabetes, síndrome do pânico, dentre outas5.

O estresse ocupacional é sensação de cansaço, desgaste físico ou emocional provocado pela sobrecarga e tensões diárias vivenciadas durante as atividades laborais ou provocadas pelas relações interpessoais e as constantes mudanças impostas aos profissionais no ambiente de trabalho6.

Todos os sintomas causados pelo estresse ocupacional são reversíveis e os enfermeiros que apresentarem quaisquer alterações podem ficar inteiramente curados se houver intervenção com medidas adequadas para o enfrentamento das situações estressantes7. Para tanto, é necessário o conhecimento das fases do estresse ocupacional para que medidas preventivas sejam aplicadas. A primeira é a fase de alerta, momento em que a pessoa sente muito desgaste na realização de qualquer atividade no ambiente de trabalho, esforço e energia são intensos quando executam as atividades que são exigidas. Nesse momento enfrentam situação desafiadora e apresentam sinais e sintomas comuns como agitação, taquicardia, sudorese e ansiedade8.

A segunda é a resistência, caracterizada pelo aumento da capacidade de resistir, momento que o próprio organismo tenta buscar o equilíbrio, utilizando grande quantidade de energia. Nesse momento há muito desgaste sem causa aparente e dificuldade de concentração na realização de qualquer atividade. Na terceira fase ocorre a exaustão propriamente, os fatores estressores persistem, em frequência e intensidade, há fragmentação da resistência do indivíduo e a completa exaustão do profissional. É o período mais complexo do estresse ocupacional, porque o indivíduo apresenta comprometimento maior, como a depressão e a síndrome de Burnout. É nessa fase que o profissional tem comprometimento na qualidade vida, muitas alterações na vida pessoal e principalmente nas atividades laborais4.

O desgaste físico e emocional pode ocorrer em diversas situações vivenciadas pelos profissionais de saúde. Em decorrência do elevado número de enfermeiros acometidos pelo estresse ocupacional na urgência e emergência, o estudo teve como objetivo verificar o nível de estresse ocupacional dos enfermeiros pela Escala Bianchi na unidade de urgência e emergência de um hospital público de Teresina, Piauí.

 

MÉTODOS

Estudo transversal descritivo realizado nos meses de novembro de 2016 a janeiro de 2017 em um hospital público de urgência e emergência localizado no município de Teresina. O hospital é referência na assistência de alta complexidade em traumatologia e ortopedia para todos os municípios do Piauí. Oferece serviços de média e alta complexidade, atendendo aproximadamente seis mil pacientes ao mês e é constituído por um total de 368 leitos de internação e 52 de observação.

A unidade da urgência e emergência selecionada apresenta um total de 23 enfermeiros distribuídos nas salas vermelha (10 leitos), amarela (nove leitos), verde (24 leitos) e estabilização (quatro leitos). Eles desenvolvem as atividades de acordo com a escala de serviço nos turnos manhã, tarde e noite. O atendimento na unidade ocorre de acordo com as normas do Acolhimento com Classificação de Risco, que é um dispositivo da Política Nacional Humanização (PNH), do Ministério da Saúde9.

A amostra foi constituída por 20 enfermeiros que desenvolvem as atividades nas salas vermelha, amarela, verde e de estabilização da unidade da urgência e emergência. Foram incluídos os enfermeiros efetivos com tempo de mínimo de atividade de seis meses, estabelecido por ser considerado o tempo mínimo para adaptação dos profissionais às atividades laborais do serviço de saúde. Foram excluídos aqueles que se encontravam em licença médica ou férias durante a coleta dos dados.

A coleta dos dados foi realizada em uma sala privativa do hospital conforme a disponibilidade dos enfermeiros. Utilizou-se como roteiro de coleta a Escala Bianchi de Stress (EBS), construída e validada por Bianchi. É um questionário autoaplicável com propósito de medir o nível de estresse que o enfermeiro sente ao realizar as atividades diárias em determinado setor do hospital. A escala é composta de duas partes: uma contendo informações sobre a caracterização sociodemográfica dos sujeitos, como sexo, idade, unidade de trabalho, tempo de trabalho no setor, tempo de formado, curso de pós-graduação; e outra com dados para avaliação dos eventos estressores vivenciados pelos enfermeiros diariamente nos serviços de saúde10.

Para avaliação do nível de estressores, a escala apresenta 51 itens divididos em 6 domínios (A, B, C, D, E, F). Cada domínio apresenta dados com valores que vão de 1,0 a 7,0. De acordo com os valores obtidos dos itens de cada domínio, foi calculada a média dos domínios. O valor resultante é a média real para verificação do domínio com maior nível de estresse vivenciado pelos enfermeiros10. O Quadro 1 mostra a quantidade de itens em cada domínio para o cálculo da média.

 

 

Na verificação do nível de estresse, a média analisada foi calculada pelos itens que compõem cada domínio. Foram calculados os escores médios de cada domínio para identificar o domínio de maior estresse. De acordo com a análise do escore médio de cada domínio e a verificação do valor foi realizada a comparação entre os valores encontrados com a EBS de acordo com a seguinte pontuação: igual ou abaixo de 3,0 (nível de estresse baixo); entre 3,1 e 5,9 (nível de estresse médio); e igual ou acima de 6,0 (nível de estresse alto).

A análise estatística foi descritiva e inferencial. Os dados foram inseridos em bancos de dados, com dupla entrada em planilha do Microsoft Excel, a fim de validar a identificação de possíveis erros de digitação. Foram processados no software Statistical Package for the Social Sciences, versão 23.0. As variáveis foram apresentadas em valores absolutos (n) e relativos (%). Para avaliar a confiabilidade interna da escala, utilizou-se o coeficiente alfa de Cronbach, considerando os valores acima de 0,7 como satisfatórios11.

Para melhor apresentação dos resultados, os dados foram organizados em tabelas, gráficos e quadros. Foram mostrados os domínios no gráfico de acordo com a média calculada em cada área. E no domínio com maior média para o nível de estresse foram verificados os itens causadores desse aumento.

A pesquisa teve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Getúlio Vargas, com Parecer nº 1.775.582, CAAE 60410116.5.0000.5613. Os aspectos éticos que regem a pesquisa com seres humanos foram rigorosamente respeitados, conforme preconiza a Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Saúde, que estabelece as normas para a pesquisa com seres humanos. Como garantia do anonimato dos participantes da pesquisa, os questionários foram marcados com números sequenciais à medida que eram preenchidos. De todos os profissionais, três recusaram participar da pesquisa, e os que aceitaram assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

 

RESULTADOS

Constatou-se que os participantes do estudo eram predominantemente do sexo feminino (75%) e estavam na faixa etária entre 31 e 40 anos (65%). O total de 60% dos profissionais concluiu a graduação entre 6 e 10 anos e 90% tinham pós-graduação. Quanto ao local de trabalho na unidade no hospital, 40% dos profissionais exerciam as atividades na sala verde. E 70% trabalhavam na unidade de urgência e emergência há mais de 6 anos (Tabela 1).

 

 

Após a avaliação da consistência interna da EBS, identificou-se que o alfa de Cronbach foi de 0,892, considerado satisfatório na medida em que valores acima de 0,7 são confirmatórios para esse fim. As médias de estresse dos enfermeiros variaram entre 1,0 e 5,25, sendo 7,0 a pontuação máxima. Desse modo, observa-se que 70% dos participantes apresentaram médio nível de estresse (Tabela 2).

 

 

Verificou-se que o domínio A (relacionamento com outras unidades e supervisores), com escore 3,85, apresentou maior nível estresse. O domínio D (assistência de enfermagem prestada ao paciente) apresentou escore 3,01 e o domínio F (condições de trabalho para o desempenho das atividades do enfermeiro), 3,80, conforme o Gráfico 1.

 


Gráfico 1. Média do escores de estresse por domínios da Escala Bianchi de Stress. Teresina, Piauí, Brasil, 2017 (n=20).

 

Evidenciou-se que, no relacionamento com outras unidades e supervisores, a média do domínio com maior nível de estresse foi a comunicação com a administração superior, com 5,25, seguido do 4,45 do relacionamento com almoxarifado e 4,35 para comunicação com supervisores de enfermagem (Quadro 2).

 

 

DISCUSSÃO

Para Bianchi10, quando se analisa o trabalho de modo geral, baseado no escore total de estresse, tem-se uma visão de como está o nível de estresse do profissional em seu ambiente de trabalho e nas atividades desempenhadas. Contudo, ao analisar o nível de estresse segundo os domínios pré-estabelecidos pela EBS, é possível comparar os diferentes estressores que influenciam a prática do profissional. Este estudo mostrou que os enfermeiros do setor de urgência encontravam-se em nível médio de estresse, com escore global de 3,46, valor semelhante ao de outros estudos11,12.

Autores explanaram em estudo que o elevado nível de estresse ao qual os profissionais de saúde estão expostos ocorre por conta dos constantes obstáculos existentes e vivenciados no dia a dia de trabalho, expondo esses profissionais a sentimentos e situações de sofrimento, morte, extensas jornadas de trabalho, exigências institucionais, relações interpessoais com profissionais, pacientes e familiares, entre outros13.

O trabalho exercido pelos enfermeiros é diferente de outros profissionais da saúde. Eles realizam a assistência diretamente com o paciente integralmente, também são responsáveis pela gerência do cuidado, que envolve o desempenho articulado de atividades assistenciais e gerenciais, a previsão e provisão de recursos materiais, dimensionamento de pessoal, liderança da equipe de trabalho e coordenação do processo assistencial. Em função dessas atribuições, o enfermeiro assume posição de destaque na equipe de saúde, o que lhe permite desenvolver estratégias que potencializam o trabalho em equipe e a organização do ambiente assistencial visando à qualidade do cuidado prestado. Em razão disso, o trabalho exercido pelo enfermeiro é considerado como uma atividade de grande vulnerabilidade ao estresse14.

Quanto à idade, houve discreto predomínio da faixa etária de 31 a 40 anos. Dados semelhantes foram encontrados em outros estudos15,16. Diante disso, é relevante frisar que profissionais mais jovens apresentam níveis de estresse menores se comparados com os profissionais com mais de 40 anos, associando esse aspecto ao envelhecimento natural, condição que reduz a tolerância a altas cargas de trabalho17.

Em relação ao sexo, houve maior frequência do feminino. Tal predominância também foi observada em outras pesquisas, corroborando o perfil dos enfermeiros brasileiros18-21. Em pesquisa realizada em 2013, segundo análise disponibilizada pelo Conselho Federal de Enfermagem, 86,2% dos enfermeiros do Brasil eram do sexo feminino22. As enfermeiras, além de lidarem com o processo de organização do trabalho, também gerenciam suas vidas pessoais. Essa condição de múltiplas atividades exercidas pode gerar estresse, tendo em vista que elas trabalham fora do convívio familiar, mas também desempenham afazeres domésticos e providenciam cuidados aos filhos5.

A maioria dos enfermeiros do hospital estudado possuía entre 6 e 10 anos de formação e 70% desenvolviam suas atividades em seus setores há mais de 6 anos. Alguns estudos apontam que os profissionais que se dedicam a uma atividade por tempo prolongado em determinado setor podem apresentar elevado nível de estresse, principalmente pela trivialização da dinâmica de trabalho23.

Um estudo realizado em 2013 confirmou, a partir de análise das variáveis de trabalho, que o desgaste é maior naqueles profissionais com menos tempo de instituição, indicando também que a decepção com o trabalho e o baixo apoio social relacionam-se ao elevado desgaste laboral24.

Quanto à qualificação após formação, verificou-se que 90% dos entrevistados possuíam especialização, sendo essa uma estratégia facilitadora de interação no ambiente de trabalho, revelando a importância de atualização contínua por meio de educação continuada e permanente.

A educação continuada envolve ações de ensino após a graduação, tem duração estabelecida e utiliza métodos tradicionais de ensino, ao passo que a educação permanente é necessária para o processo de trabalho25. Os enfermeiros que desempenham atividades na urgência e emergência hospitalar precisam possuir conhecimento técnico-científico e prático para assim serem hábeis na tomada de decisões rápidas e concretas, transmitindo segurança à sua equipe e diminuindo riscos à vida do paciente26.

Foi constatado no estudo que no domínio A, os itens 51 (comunicação com a administração superior), 43 (relacionamento com almoxarifado) e 50(comunicação com supervisores de enfermagem) foram os maiores causadores do estresse ocupacional. As relações interpessoais, em especial com supervisores, são consideradas fator estressante em diversos estudos, associadas ou não à sensação de falta de reconhecimento profissional6.

Em estudo realizado em 201527, destacou-se também o domínio A, porém os itens que apresentaram elevado nível de estresse foram o 45 (relacionamento com a manutenção) e 44 (relacionamento com a farmácia). Em outro estudo, de 201128, foi verificado que o relacionamento com a manutenção era o mais elevado fator. Fica evidente que as relações entre os profissionais de outros setores devem ser trabalhadas para a redução do estresse no ambiente de trabalho.

Como agente estressor, o relacionamento interpessoal pode ser um dos maiores problemas para causa do estresse ocupacional. O ambiente de trabalho exige relacionamento interpessoal com empatia, autoestima, cordialidade, ética e principalmente comunicação com profissionais de outros setores. É necessário que os enfermeiros e outros profissionais promovam atividades para melhorar o processo de comunicação e consigam desenvolver ações que reduzam as diferenças pessoais23. A organização dos serviços de saúde e a boa relação interpessoal no âmbito laboral são essenciais para a redução ao máximo do nível de estresse ocupacional e suas consequências, tendo em vista que a forma como os sujeitos são tratados nas instituições repercute nas atitudes tomadas no processo de trabalho29.

Aspectos como prazer pelo trabalho, bom relacionamento profissional, poder de resolubilidade, oferta de cuidado com qualidade e condições laborais saudáveis são considerados fatores motivacionais para o enfermeiro24.

O estresse ocupacional tem sido investigado nos diferentes campos de atuação do enfermeiro e, independentemente da área, a profissão é considerada estressante. A redução dos estressores indicados por esse profissional não depende apenas dele e de sua equipe, mas também de seus superiores responsáveis pela gerência da instituição30.

Faz-se necessário discutir sobre as condições de trabalho às quais o enfermeiro da urgência e emergência está exposto, no intuito de prevenir ou minimizar problemas. Entre as propostas relevantes estão as ações individuais de mudanças de comportamento, flexibilidade das normativas organizacionais e coletivas e garantia de maior satisfação no ambiente de trabalho, necessárias para o controle do estresse11.

 

CONCLUSÃO

No presente estudo, verificou-se que os enfermeiros apresentaram nível médio de estresse e as situações que geraram mais estresse ocupacional eram provocadas principalmente pelos relacionamentos com outras unidades e supervisores. E dentro dos relacionamentos, as relações dos enfermeiros com a administração superior e com o almoxarifado foram as que mais se destacaram.

Foi possível constatar que as relações interpessoais nos serviços de urgência e emergência podem ser uma das causas do estresse ocupacional entre os profissionais. E como o trabalho exige ações efetivas no cuidado aos pacientes, é necessário que haja implementação de estratégias para solucionar ou minimizar os conflitos gerados nas relações interpessoais. A comunicação efetiva e a habilidade pessoal são ferramentas importantes para a negociação de situações conflituosas e necessárias para melhorar as relações interpessoais.

Espera-se que o estudo contribua para que os gestores e profissionais de saúde, principalmente nos serviços de urgência e emergência, desenvolvam mecanismos para melhorar as relações profissionais, diminuindo assim os danos que são provocados pelo estresse ocupacional no setor e principalmente para o conhecimento e enfretamento dos fatores estressores.

 

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Recebido em 18 de Julho de 2018.
Aceito em 14 de Março de 2019.

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