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ARTIGO ORIGINAL

Ocupações relacionadas ao câncer de cabeça e pescoço em uma cidade do Sul do Brasil, 1998 a 2012

Occupations associated with head and neck cancer in a city in Southern Brazil, 1998 to 2012

Sabrina Alessandra Castro1; Laurindo Moacir Sassi2; Cassius Carvalho Torres-Pereira1; Juliana Lucena Schussel1

DOI: 10.5327/Z1679443520190303

RESUMO

INTRODUÇÃO: O câncer é uma doença multifatorial e depende de múltiplas etapas. A redução da incidência ou a modificação da evolução da doença se dão pela eliminação dos fatores de risco associados ao câncer. A identificação de fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de cabeça e pescoço associados à ocupação profissional pode complementar ações de vigilância desse tipo de câncer e também favorecer a implantação de medidas preventivas nos ambientes de trabalho.
OBJETIVO: Identificar as ocupações de pacientes com câncer de cavidade oral (CCO) e de orofaringe (COF) na cidade de Curitiba, Paraná.
MÉTODO: Foi realizado um estudo transversal que avaliou 896 casos de CCO e COF a partir do Registro de Câncer de Base Populacional, entre 1998 e 2012. As ocupações coletadas foram classificadas em quatro grupos baseados no grau de risco definido pelo Ministério do Trabalho e foi analisado o consumo de álcool e tabaco pelos pacientes.
RESULTADOS: Os grupos ocupacionais associados aos serviços de limpeza e construção, setor administrativo, agricultura e transportes mantiveram as maiores frequências. O grau de risco 3 concentrou o maior número de casos, com 55,2% do total, atingindo 65,5% quando foram avaliados indivíduos com história de consumo de tabaco e álcool. Comércio, construção, limpeza e serviços mecânicos tiveram o maior número de CCO e COF no município estudado.
CONCLUSÃO: Foram encontradas 131 ocupações na amostra estuda, sendo a maior concentração observada no grupo de risco 3. Dessa forma, entende-se que o risco ocupacional deve ser levado em consideração no planejamento de ações preventivas da doença

Palavras-chave: exposição ocupacional; câncer de cabeça e pescoço; tabaco.

ABSTRACT

BACKGROUND: Cancer is a multifactorial disease and depends on multiple stages. Eliminating risk factors contributes to reduce the incidence of disease or modifies its progression. Identifying risk factors for head and neck cancer associated with definite occupations might complement surveillance actions and help in the implementation of preventive measures in the workplace.
OBJECTIVE: To identify the occupations of patients with oral cavity (OCC) or oropharyngeal (OPC) cancer in Curitiba, Parana, Brazil.
METHODS: Cross-sectional study in which we analyzed 896 cases of OCC and OPC based on the Population-based Cancer Registry, 1998–2012. The located occupations were categorized in four risk groups following the classification formulated by the Ministry of Labor. We also analyzed variables smoking and alcohol consumption.
RESULTS: The highest rates of oral cancer corresponded to occupations associated with cleaning, construction, administration, agriculture and transport. Most occupations, 52.2%, were categorized as risk grade 3. This rate increased to 65.5% when smoking and alcohol consumption were included in analysis. Workers in trade, construction, cleaning services and mechanics accounted for the largest number of OCC and OPC cases in the analyzed municipality.
CONCLUSION: We found 131 occupations associated with cases of oral cancer, most of which were categorized as risk grade 3. In consequence, occupational risk should be considered in the planning of preventive actions.

Keywords: occupational exposure; head and neck neoplasms; tobacco.

INTRODUÇÃO

Mudanças no perfil demográfico no Brasil ocorreram como resultado da industrialização, avanços científicos e tecnológicos, bem como do processo de urbanização da população. Nesse cenário, novos comportamentos e estilos de vida contemporâneos são agregados a cada dia, com abundante exposição a fatores de risco1. Mais pessoas estão diariamente expostas a produtos e processos produtivos, muitas vezes sem conhecimento científico de seus efeitos sobre a saúde humana, especialmente seu potencial carcinogênico2.

Segundo um estudo australiano, a proporção de casos de câncer relacionado ao trabalho é estimada entre 8 e 16%3. Outro estudo aponta que pode chegar a 10,8% dos casos de câncer em homens (excluindo o câncer de pele não melanoma) e 2,2% dos casos de câncer em mulheres por exposição ocupacional4. Esses dados estão relacionados ao risco geral da população, mas é necessário considerar a exposição ocorrida em ambientes de trabalho, uma vez que o risco ocupacional está concentrado em trabalhadores ocupados e expostos, diluindo sua importância quando a estimativa é dada a toda a população3.

Poucas pesquisas foram realizadas no Brasil com foco em cânceres relacionados ao trabalho, o que pode levar a uma estimativa subestimada dos casos. A ocupação ainda não é priorizada, quando comparada a outros fatores de risco, mesmo em situações nas quais o risco de desenvolver câncer já está estabelecido, como por exemplo na exposição a carvão, benzeno, asbesto, alta voltagem, radiação ionizante, entre outros3.

Entre os diversos fatores de risco para o desenvolvimento de câncer presentes no ambiente, os de origem ocupacional têm grande capacidade de controle5, devendo ser incentivadas políticas educativas e preventivas para grupos ocupacionais específicos, quando identificados como de maior risco para o desenvolvimento da doença.

Tratando-se do câncer de boca, 405 mil novos casos são esperados a cada ano mundialmente, e segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), 80% ocorrem em países em desenvolvimento. A estimativa para o biênio 2016– 2017 para o Brasil era de 11.140 casos novos de câncer da cavidade oral (CCO) em homens e 4.350 em mulheres. Esses dados correspondem a um risco estimado de 11,27 casos novos a cada 100 mil homens e 4,21 a cada 100 mil mulheres1. Poucos estudos avaliaram o risco ocupacional para o câncer de boca.

Portanto, o objetivo deste estudo foi identificar as ocupações de pacientes com CCO e de orofaringe (COF) na cidade de Curitiba, Paraná, além de observar as características epidemiológicas e as ocupações de risco do grupo estudado.

 

MÉTODO

Para realizar este estudo transversal foram utilizados dados secundários de moradores de Curitiba, com diagnóstico de CCO e COF (CID-10 - C00 a C14), incluídos no banco de dados fornecido pela Vigilância Epidemiológica da Secretária Municipal de Saúde de Curitiba, a partir do Registro de Câncer Base Populacional de Curitiba (RCBP), com dados consolidados da incidência de câncer no período de 1998 a 2012. Casos que apresentavam dados incompletos e aqueles para os quais não foi possível coletar dados adicionais foram excluídos da amostra final. O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Paraná (protocolo CAAE 50150415.7.0000.0102) e pelos Comitês de Ética das instituições participantes e cumpre todos os preceitos éticos.

Informações complementares foram coletadas a partir dos prontuários médico-hospitalares nos centros de referência onde os pacientes receberam tratamento: tabagismo e hábitos de consumo de álcool, estágio da doença com base na classificação TNM (União Internacional Contra o Câncer — UICC) e dados de ocupação. Foram considerados fumantes os indivíduos fumantes atuais ou que pararam há menos de cinco anos; e etilistas os indivíduos que relataram consumo de álcool diário. De acordo com a classificação TNM, os estágios I e II podem ser considerados iniciais, enquanto os estágios III e IV são estágios avançados e com pior prognóstico. O acesso a esses dados não foi possível em todas as instituições relacionadas no banco de dados, de maneira que apenas os principais centros de referência no tratamento de câncer da região foram selecionados.

As ocupações identificadas na amostra do estudo foram agrupadas com base na graduação do risco das atividades econômicas, preconizada pelo Ministério do Trabalho, NR046, em que o grau de risco 1 representa os ramos de atividade com pouco ou leve impacto; o 4, atividades com maior risco para a saúde e segurança dos trabalhadores, incluindo o risco de desenvolver doenças ocupacionais; e os 2 e 3, atividades de risco intermediário. As ocupações foram classificadas, obtendo-se o grau relativo de risco para essas ocupações.

Foi realizada análise descritiva das variáveis contínuas (média) e categóricas (frequência e porcentagem), utilizando o software IBM Statistical Package for the Social Sciences (SPSS).

 

RESULTADOS

O RCBP contém um total de 2.872 registros de pacientes residentes na cidade de Curitiba diagnosticados com CCO e COF no período estudado. Destes, 1.396 foram excluídos devido à impossibilidade de acessar registros médicos e informações adicionais. Dos restantes 1.476 casos, apenas 1.063 apresentaram dados relacionados à ocupação. Informações como “trabalhadores que não podem ser classificados por ocupação”, “técnicos e trabalhadores similares não classificados” e “estudantes” totalizaram 167 casos e também foram excluídos da amostra final. Portanto, 896 casos foram utilizados para as análises finais, como mostra a Tabela 1.

 

 

Foram identificadas 131 ocupações, distribuídas em 4 graus de risco. Após a análise inicial, foi possível identificar cinco principais grupos ocupacionais que representaram o maior número de casos. “Empregados (empregados de hotéis) e trabalhadores similares (governanta, mordomo, babá)” foi a categoria de ocupação com maior número de casos de CCO e COF, representando 12,9% (115 casos), seguida de “trabalhadores agrícolas”, com 9,8% (88 casos) e “pedreiro e estucadores” com 8,9% (80 casos).

Os locais mais acometidos foram: assoalho da boca (13,0%), lábio (11,7%), orofaringe e língua (11,2%). A média de idade dos pacientes foi de 58,7 anos, variando de 51 a 60 anos. A informação do estágio clínico foi disponibilizada em apenas 201 casos, e 46,5% representaram o estágio IV. A maioria das ocupações dos pacientes foi classificada como nível de risco 3 (55%), seguida pelo nível de risco 2 (29%), nível de risco 1 (14%) e nível de risco 4 (2%). Quando o grau de risco 3 foi avaliado em indivíduos com história de consumo de tabaco e álcool, os casos atingiram 65,5%.

Para pacientes com consumo positivo de álcool e tabaco, a orofaringe foi o local mais frequente, seguido pela língua. A idade média foi semelhante, 56,6 anos, e o estágio IV representou 54% da amostra. As ocupações mais frequentes para esses pacientes foram: construção (10,9%) e indústria de serviços (8,2%).

Analisando pacientes com histórico de consumo de álcool ou tabaco, o lábio foi o local mais frequente (19,6%). A idade média, o risco de ocupação e o estágio clínico permaneceram semelhantes aos de outros pacientes.

Pacientes sem história positiva para consumo de álcool e tabaco apresentaram idade média superior aos demais pacientes (61 anos), mas outras variáveis permaneceram semelhantes.

 

DISCUSSÃO

O risco ocupacional para o desenvolvimento de câncer tem sido associado a quase todos os tipos de neoplasias malignas, incluindo o câncer de cabeça e pescoço. Apesar dessa conhecida associação, apenas alguns estudos analisaram a exposição ocupacional sobre esse tipo de câncer. Este é o primeiro estudo realizado no Sul do Brasil que utilizou o banco de dados oficial do governo para tentar identificar as ocupações com maior número de diagnósticos de câncer bucal.

O diagnóstico tardio de CCO e COF ocorre na maioria dos casos, resultando em estadiamento avançado, grande morbidade e mortalidade. Esse perfil também foi observado em nosso estudo, no qual 67,6% dos casos apresentavam estágio clínico III ou IV, reforçando a necessidade de ações preventivas.

A análise da ocupação dos pacientes com diagnóstico de CCO e COF revelou limpeza, manutenção e manutenção de domicílios, hotéis e edifícios; construção; trabalho administrativo; trabalho agrícola; transporte e comércio como as atividades econômicas mais frequentes na amostra. História de exposição a importantes fatores de risco para esses tipos de câncer, como tabaco e álcool, pareceu não ter relação com as variáveis analisadas. As ocupações encontradas neste estudo foram semelhantes a outras encontradas na literatura7,8.

Um estudo realizado no Brasil pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que as ocupações que exigem menor nível de escolaridade e mais esforço físico estão associadas ao maior consumo de tabaco9. Dessa forma, ocupações com maior grau de risco podem potencializar o processo de carcinogênese pela combinação de fatores etiológicos.

Estudos indicam que há um excesso de exposição de trabalhadores de classes econômicas mais baixas e populações das periferias das grandes cidades aos riscos presentes nos processos produtivos10. Esse fato é evidenciado por Ganesh et al., que identificaram a maioria da população de seu estudo sobre câncer bucal como trabalhadores rurais ou trabalhadores urbanos não qualificados, com renda familiar muito baixa e altas taxas de analfabetismo em ambos os casos11. Há tendência para esses fatos em nossos resultados, uma vez que o maior número de casos de CCO e COF mantém ocupações que não exigem grande qualificação profissional e geralmente são realizadas pela população menos favorecida. Bomfim e Cascaes analisaram as tendências dos benefícios de segurança social para CCO e CCF no Brasil e encontraram, entre as atividades econômicas mais frequentes, o comércio, indústrias de transformação e atividades administrativas12.

Pacientes com história de consumo de álcool e/ou tabaco apresentaram topografias de câncer amplamente relatadas na literatura e menor média de idade ao diagnóstico, enquanto pacientes sem histórico de hábitos nocivos apresentaram a doença com maior frequência nos lábios e na faixa etária mais avançada. Observou-se que o consumo de álcool e tabaco parece acelerar o desenvolvimento da doença e diminuir a latência do câncer. Houve um aumento no número de casos de câncer de nasofaringe, especialmente quando associados ao grupo ocupacional de limpeza e manutenção.

As atividades de limpeza empregam muitos trabalhadores em todo o mundo, que são expostos diariamente a vários produtos químicos de limpeza, muitas vezes em ambientes fechados. Além de seus componentes primários, os produtos de limpeza formam subprodutos em contato com poluentes no ar e com o material usado nas construções. O formaldeído é um deles, presente como produto primário e secundário. Os desinfetantes foram considerados os mais perigosos para a saúde13,14. Há evidências de uma associação entre a exposição ao formaldeído e câncer de boca, COF15, de nasofaringe e hipofaringe16. O presente estudo observou um maior número de casos de câncer de nasofaringe nesse grupo de profissionais.

Outros produtos químicos com potencial carcinogênico também podem ser encontrados em produtos de limpeza comuns, como os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs) derivados do benzeno. Uma revisão sistemática observou uma associação entre HAP e exposição ao asbesto e a incidência de CCO17. Singaravelu e Sellapa18 mostraram que células orais de trabalhadores expostos a HAPs exibem níveis aumentados de alterações genéticas que podem estar relacionadas ao aumento do risco de câncer.

O amianto ainda está presente na indústria da construção, reforçando também a constatação desse grupo de trabalhadores em nosso estudo. Anatomicamente, a faringe encontra-se no caminho percorrido pelas fibras de asbesto que são inaladas durante a exposição; e há semelhanças clínicas e histológicas entre os cânceres de faringe, laringe e pulmão. Muitos estudos reforçam a associação entre exposição ocupacional ao asbesto e CCO e COF15,17,19. Mesmo quando o tabagismo e o álcool foram analisados, houve associação com a ocupação em trabalhadores da construção civil, como carpinteiros e pintores20. Os carpinteiros, outra ocupação com um grande número de casos isolados encontrados em nosso estudo, sofrem danos genéticos nas células bucais e nasais devido à exposição ao pó de madeira, com alto risco de instabilidade cromossômica21,22.

Os trabalhadores da agricultura também tiveram em grande número em nosso estudo. De acordo com dados oficiais, as ocupações agrícolas representam 0,2% da população, com 10,6% do total de casos de CCO e COF, chegando a um aumento de 53 vezes no risco dessa população específica23. Trabalhadores ao ar livre, como pescadores, agricultores e jardineiros, estão em maior risco de desenvolver carcinoma de células escamosas do lábio, associado à exposição à radiação UV7,24-27. O uso de agrotóxicos (inseticidas, herbicidas e fungicidas) também está relacionado à exposição ocupacional dessa classe de trabalhadores28.

Em relação aos trabalhadores do transporte e comércio, estudos indicam que motoristas e vendedores ambulantes, além de mecânicos e policiais, também estão ocupacionalmente expostos a HAPs, por meio da inalação de gases de escape veiculares (gasolina e diesel), ingestão de poeira contaminada suspensa no ar e contato dérmico com esses poluentes, especialmente no microambiente dos veículos, que tem sido demonstrado como um dos mais contaminados29,30.

A ocupação de “mecânica” também merece atenção em relação aos riscos ocupacionais. Andreotti et al.31, em estudo realizado no Brasil, identificaram que a atividade de mecânico de veículos é considerada de risco para CCO e COF, independentemente da idade e do consumo de tabaco e álcool, aumentados após exposições prolongadas. Além dos HAPs, os mecânicos de veículos também são expostos diariamente às fibras de amianto e partículas de vidro oriundas de materiais de isolamento; fumos de solda e fuligem, névoas de óleos lubrificantes minerais e ácidos fortes; poeiras metálicas e abrasivas; aldeídos; solventes; entre outros.

As revisões de literatura evidenciam que um pequeno número de estudos investigou outros fatores de risco para CCO além de tabaco e álcool27, no entanto uma fração do CCO e COF segue sem uma explicação de sua etiologia, indicando a urgência de esclarecer outros possíveis fatores de risco. Evidências apontam para a contribuição das exposições ocupacionais aos cânceres de cabeça e pescoço32, e sua significância pode ter sido subestimada17. A compreensão dos riscos ocupacionais na carcinogênese pode auxiliar na elaboração e na efetivação de políticas públicas de proteção ao trabalhador31 e também no monitoramento e na caracterização de populações em risco. Podendo, dessa forma, melhorar a prevenção de doenças7 e a adequação dos ambientes de trabalho.

Ainda assim, o estudo do risco ocupacional pode ser desafiador. O registro de ocupações geralmente considera apenas a ocupação no momento do diagnóstico da doença, não avaliando a atividade laboral prévia, prejudicando a fidelidade das informações em relação à exposição ocupacional. Apesar do presente estudo ter conseguido observar o perfil ocupacional dos pacientes diagnosticados com câncer de boca no município de Curitiba, a falta de padronização e especificidade de cada ocupação pode prejudicar a interpretação dos achados.

 

CONCLUSÃO

Os grupos de trabalhadores de comércio, construção e limpeza, manutenção de residências, hotéis e edifícios foram identificados como tendo o maior número de casos de CCO e COF no município estudado, no entanto a distribuição dos casos segundo as ocupações é diferente quando se avalia a presença de hábitos de tabagismo e o alcoolismo. As topografias mais frequentes com consumo positivo de álcool e tabaco foram: assoalho da boca, orofaringe, base da língua e língua, amplamente encontradas na literatura. Quando hábitos deletérios foram excluídos, a topografia mais frequente é o lábio, e a nasofaringe aparece com um grande número de casos. Em relação ao grau de risco identificado por meio de ocupações, os ramos de atividade classificados pelo Ministério do Trabalho como grau de risco 3 parecem aumentar o risco de CCO e COF na cidade de Curitiba.

 

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Recebido em 5 de Agosto de 2018.
Aceito em 26 de Janeiro de 2019.

Fonte de financiamento: Programa Pesquisa para o Sistema Único de Saúde: Gestão Compartilhada em Saúde, Fundação Araucária, SESA-PR, CNPq


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