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ARTIGO ORIGINAL

Prevalência e fatores associados da síndrome de Burnout em docentes universitários

Prevalence and factors associated with burnout among university professors

Tatiane Isabela de Araújo Leite1; João Paulo Costa Fernandes2; Fernanda Letícia da Costa Araújo1; Xiankarla de Brito Fernandes Pereira1; Dulcian Medeiros de Azevedo3; Eudes Euler Souza Lucena4

DOI: 10.5327/Z1679443520190385

RESUMO

INTRODUÇÃO: A síndrome de Burnout é um dos principais exemplos de distúrbio relacionado diretamente ao trabalho. Caracteriza-se como uma síndrome psicológica resultante da exposição a estressores presentes no contexto laboral e constitui relevante problema psicossocial.
OBJETIVOS: A pesquisa propôs identificar a prevalência e os fatores associados da síndrome de Burnout em docentes de universidades públicas e privadas.
MÉTODO: Foram utilizados dois instrumentos autoaplicados: um com questões sociodemográficas, psicossociais, ocupacionais e de aspectos relativos à saúde e outro baseado no Maslach Burnout Inventory Educators Survey em professores de quatro instituições públicas e privadas do município de Caicó, Rio Grande do Norte, Brasil. Foram feitas as análises univariada e bivariada, bem como criado um modelo de regressão logística.
RESULTADOS: Observou-se que 61,6% dos docentes encontravam-se na fase inicial da síndrome. A presença de doenças de base e o elevado número de disciplinas foram as únicas variáveis associadas significativamente com a ocorrência de Burnout. As médias dos escores de despersonalização foram significativamente maiores em docentes que tinham outra ocupação, que relataram necessidade de atualização profissional e com número elevado de disciplinas. As médias dos escores de exaustão foram maiores nos professores com doença prévia e hipertensos.
CONCLUSÕES: Este estudo demonstrou que a prevalência da síndrome de Burnout nos professores universitários no município de Caicó, Rio Grande do Norte, é relativamente alta. A detecção precoce de níveis sintomáticos de Burnout pode ser um bom indicador de possíveis tratamentos precoces.

Palavras-chave: Burnout; prevalência; docência; ensino superior.

ABSTRACT

BACKGROUND: Burnout is one of the main examples of health disorders directly related to work. This is a psychological syndrome that results from exposure to stressors in the workplace and represents a considerable psychosocial problem.
OBJECTIVE: To establish the prevalence of and factors associated with burnout among professors at public and private universities.
METHODS: We administered two self-report questionnaires—one for sociodemographic, psychosocial, occupational and health-related data, and the other based on the Maslach Burnout Inventory-Educators Survey—to professors at four public and private universities in Caicó, Rio Grande do Norte, Brazil. We subjected the data to univariate and bivariate analysis and also fitted a logistic regression model.
RESULTS: About 60% of the participants were categorized as in the earliest stage of burnout syndrome. Having a chronic disease and teaching a large number of courses were the only variables significantly associated with burnout. The average score on domain depersonalization was significantly higher among the participants who had a second job, those who reported to need professional updating and the ones who taught a large number of courses. The average score on domain emotional exhaustion was higher among the participants with some chronic disease and those with high blood pressure.
CONCLUSION: The prevalence of burnout was high in the analyzed sample of university professors. Early detection of burnout symptoms might favor early treatment.

Keywords: Burnout, psychological; prevalence; teaching; education, higher.

INTRODUÇÃO

No Brasil, dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) evidenciaram que os transtornos mentais e comportamentais foram a terceira causa de incapacidade para o trabalho, totalizando 668.927 casos. Além disso, cerca de 9% do total de auxílios-doença e aposentadorias por invalidez foram concedidas entre 2012 e 20161. O estresse, caracterizado por um estado de tensão, é um dos problemas mais comuns que o ser humano enfrenta, o que ocasiona um desequilíbrio intenso no organismo. O estresse ocupacional tem ocasionado discussões acadêmicas e entre as entidades governamentais, empresariais e sindicais, devido à austeridade de suas consequências2.

O estresse está presente no quadro de problemas de saúde de várias profissões, inclusive em professores. Isso ocorre devido a um aumento da tensão no exercício do trabalho docente diante da presença de violência nas salas de aula, esgotamento físico, deficiências nas condições de trabalho e escassez de recursos materiais, associados a um aumento das responsabilidades3. O docente tem menos tempo para cumprir o seu trabalho, para investir na sua formação e atualização profissional, para atividades de lazer e convívio social4. Fica evidente que tanto na natureza do trabalho do professor como no contexto em que exerce suas funções esses estressores, se persistentes, podem levar à síndrome de Burnout.

A síndrome de Burnout é o conjunto de sinais e sintomas relacionados às situações de estresse laboral crônico, composta de três pilares de sustentação: a exaustão emocional, a despersonalização e a falta de realização pessoal5. É um processo individual, de evolução duradoura, podendo perdurar por anos e/ou décadas, com surgimento paulatino, cumulativo e progressivo em severidade. Muitas vezes, não é percebido pelo indivíduo, que, na maioria das vezes, recusa-se a acreditar que está sendo acometido pela síndrome.

Burnout entre profissionais que trabalham em saúde e ciências sociais tem sido um dos principais focos dos esforços dos pesquisadores, e estudos têm claramente mostrou que a profissão docente é uma das mais afetados pelo Burnout. Mais pesquisas são necessárias para investigar as dimensões do Burnout e as várias características pessoais associadas à síndrome entre os profissionais da educação6.

Nos últimos tempos, o desafio do professor não se limita apenas a ministrar conferências em sala de aula. O corpo docente é envolvido com outras responsabilidades acadêmicas, como atividades de investigação, organização de workshops e seminários, bem como gestão de estágios e outros programas de desenvolvimento7.

Tendo como base as concepções sobre síndrome de Burnout, e considerando a realidade da categoria dos docentes no Brasil, este trabalho propôs-se a identificar a prevalência e os fatores associados da síndrome de Burnout, em docentes de universidades públicas e privadas, além de analisar as dimensões da síndrome de Burnout em professores universitários, relacionando-as com variáveis sociodemográficas, psicossociais, laborais e de saúde.

 

MÉTODOS

Tratou-se de uma pesquisa descritiva e quantitativa, do tipo seccional, realizada em quatro universidades do município de Caicó, Rio Grande do Norte, sendo duas públicas e duas particulares. Fizeram parte do estudo docentes efetivos e contratados que exerciam suas funções regularmente nas instituições de ensino. Foram excluídos da pesquisa educadores em capacitação docente, em licença-prêmio e licença-maternidade.

Para o levantamento dos dados, foi utilizado um instrumento autoaplicado construído pelos pesquisadores, dividido em quatro blocos:

• dados demográficos: sexo, idade, estado civil e número de filhos;

• variáveis profissionais: titulação, tempo de experiência profissional, tempo de experiência na universidade, número aproximado de alunos que atende diariamente, trabalho exclusivo na instituição, docência como ocupação principal e residência no município em que trabalha;

• variáveis psicossociais: necessidade de atualização profissional, execução de atividades burocráticas, multiplicidade de papéis a desempenhar, elevado número de disciplinas, disponibilização de acompanhamento médico especializado, salas de aula espaçosas e adequadas, recursos audiovisuais suficientes, incentivo à capacitação, inclusão e acessibilidade;

• dados relativos à saúde geral: antecedentes familiares, presença de alguma doença de base, qual/quais essas doenças (doenças cardiovasculares e/ou diabetes).

Utilizou-se ainda outro instrumento autoaplicável baseado no Maslach Burnout Inventory Educators Survey (MBI-ES), criado por Christina Maslach para avaliar a síndrome de Burnout voltada ao ensino. Trata-se de um questionário de 22 perguntas, com 5 opções de resposta (escala Likert de 1 a 5), que engloba os 3 aspectos fundamentais da síndrome de Burnout: cansaço emocional, despersonalização e realização pessoal8.

O tamanho da amostra foi calculado a partir da prevalência estimada da doença. O indicador de proporção (50%) de indivíduos que tiveram Burnout foi adotado para o cálculo da amostra. Considerando uma população de 150 docentes, a margem de erro de 15% e uma taxa de não resposta de 20%, chegou-se a uma amostra de 79 indivíduos. A amostragem foi por conveniência.

O banco de dados da pesquisa foi construído na plataforma do software STATA 10.0 (Stata-Corp College Station, Texas, USA), com posterior verificação de consistência da digitação. Após a estruturação final do banco de dados, realizou-se análise descritiva de todos os dados relativos às variáveis sociodemográficas, ocupacionais, psicossociais e de saúde geral (análise univariada).

As médias das dimensões do Burnout em relação às variáveis sociodemográficas, ocupacionais, psicossociais e de saúde geral foi verificada pelo teste estatístico teste t de Student. Para todos os testes, o nível de significância de 5% foi adotado. A associação entre a presença de síndrome de Burnout e as variáveis sociodemográficas, ocupacionais, psicossociais e de saúde geral foi verificada pelo teste estatístico do χ2 (análise bivariada). Adotou-se a variável presença de Burnout para os escores iguais ou maiores que 56 (mediana) como desfecho principal de base para essas análises.

A análise multivariada foi feita usando um modelo de regressão logística, por meio da análise hierárquica para estimar as razões de prevalência para ocorrência de síndrome de Burnout ajustadas por doença de base, número aproximado de alunos atendidos, trabalho exclusivo na instituição e elevado número de disciplinas. O modelo foi iniciado pelas variáveis mais significativas, seguidas das variáveis adicionadas individualmente, considerando o p valor crítico para entrada no modelo de 0,07. A permanência da variável no modelo foi baseada no teste de verossimilhança, multicolinearidade, bem como pelo teste de Hosmer e Lemeshow. Para todos os testes, o nível de significância de 5% foi adotado.

O projeto foi enviado para apreciação ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), recebendo parecer favorável (processo nº 725.711). Os entrevistados assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, possibilitando a decisão formal em participar deste estudo. Os direitos éticos dos participantes foram resguardados conforme previsto na Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde9.

 

RESULTADOS

Participaram 100 professores universitários de 4 instituições públicas e privadas do município de Caicó, Rio Grande do Norte, sendo 50,5% do sexo feminino. A faixa etária dos docentes variou de 23 a 59 anos, com predominância do sexo feminino na faixa etária até os 37 anos e sexo masculino acima dos 38 anos. A maior parte da amostra era composta por mestres (39,2%). Tinham uma média de 12 anos de experiência profissional, sendo 6 anos na universidade. Os docentes trabalhavam exclusivamente em tempo integral (59,8%) e a docência era a ocupação principal (80,4%); atendiam, em média, a 37 alunos diariamente e residiam no município em que trabalhavam (56,7%).

Em relação às variáveis psicossociais, 92,8% relataram a necessidade de atualização profissional, 63,9% exerciam multiplicidades de papéis e 22,7% admitiram elevado número de disciplinas a ministrar. A maioria (70,1%) ainda declarou que a instituição possui inclusão, porém sem acessibilidade (61,9%). Os professores destacaram que as salas de aula são espaçosas e adequadas (70,1%); os recursos audiovisuais são suficientes (69,1%), com incentivos à capacitação (66,0%). Contudo, 73,2% alegaram que a instituição não disponibiliza acompanhamento médico especializado. A maioria dos professores não apresentava doenças de base (75,3%). Em relação aos antecedentes familiares, 50,5% tinham hipertensão arterial, 34,0%, doenças cardiovasculares e 30,9%, diabetes.

Em relação aos escores das dimensões de Burnout, identificou-se que 61,6% dos docentes se encontravam na fase inicial do Burnout, 35,3%, no início da instalação da doença, 2,1%, em possível desenvolvimento da síndrome e apenas 1,0% não apresentavam indício algum de Burnout. Em média, os docentes tiveram os seguintes escores: 17,00 (exaustão emocional), 5,00 (despersonalização) e 32,00 (realização pessoal) (Tabela 1).

 

 

Ao se comparar as médias das dimensões de Burnout entre os grupos, evidenciou-se média significativamente maior de despersonalização nos docentes que relataram que a docência não era a atividade laboral principal (p=0,033), bem como naqueles que disseram necessitar de atualização (p=0,016) e que tinham um elevado número de disciplinas (p=0,040). Aqueles que tinham doença de base (p=0,049) e eram hipertensos (p=0,024) tiveram valores significativamente maiores de exaustão emocional (Tabela 2).

 

 

Adotou-se a variável presença de Burnout para os escores iguais ou maiores que 56 (mediana) como desfecho principal de base para as análises bi e multivariada. O número estimado de alunos por sala e a exclusividade da atividade docente se mostraram variáveis associadas significativamente com a variável principal (p=0,042 e p=0,067, respectivamente). O número de disciplinas ministradas se mostrou fracamente associada à síndrome (p=0,065). A existência de qualquer doença de base (presença de diabetes mellitus ou doenças cardiovasculares) nos professores também foi uma condição associada significativamente com a síndrome (p=0,039) (Tabela 3).

 

 

Ao elencar as variáveis de natureza sociodemográfica, ocupacional, psicossocial e de saúde geral supracitadas para compor um modelo de análise multivariada, doença de base (p=0,019) e elevado número de disciplinas (0,042) mantiveram associações significativas em relação à variável principal, sendo que os professores com alguma doença e elevado número de disciplinas apresentaram maior ocorrência de Síndrome de Burnout, independentemente das demais variáveis (Tabela 4).

 

 

DISCUSSÃO

O estresse está presente na vida da maioria das pessoas devido à rotina diária de trabalho e aos compromissos, podendo se manifestar de várias formas, como por problemas cardiovasculares, distúrbios psiquiátricos e alterações comportamentais10. Burnout em professores é um fenômeno complexo, multidimensional, resultante da interação entre os aspectos individuais e o ambiente de trabalho11. Os professores universitários que participaram do presente estudo apresentaram altos níveis de Burnout (escores entre 41 e 60), o que indica a fase inicial da síndrome.

A análise dos resultados indica a presença da terceira dimensão de Burnout, bem como a possibilidade de o processo ser identificado em curso na população estudada. Além disso, tais percentuais nas dimensões indicam que os profissionais podem estar, de fato, em sofrimento para realizar seu trabalho diário de cuidar do outro, visto que precisam sustentar o trabalho com os corpos e as mentes exaustos. O conhecimento sobre essa realidade é de importância significativa para que as instituições possam reconhecer e abordar os determinantes da síndrome de Burnout antes que ela se desenvolva12.

Resultados semelhantes foram encontrados por Gonçalves et al.13, que analisaram a prevalência de síndrome de Burnout nos professores médicos do 1º ao 4º ano do curso de Medicina da Universidade do Estado do Pará (UEPA), durante o ano de 2011. Segundo esses autores, essa prevalência varia muito entre os estudos que dependem da população avaliada e dos valores conceituais utilizados como referência. Em investigação realizada com professores de João Pessoa, Paraíba, foram identificados resultados expressivos: 43,4% dos docentes apresentaram baixos níveis de realização profissional, valores condizentes com as médias obtidas no estudo presente14.

A maior parte da amostra detinha o título de mestre. Segundo Wang et al.11, não existe uma justificativa clara para deduzir que a síndrome pode estar relacionada à titulação. Essa evidência, no entanto, é compreendida quando a divisão se faz na forma dos três níveis de escolarização: ensino fundamental, médio e superior. Uma das explicações para que a síndrome de Burnout possa emergir nos primeiros anos de prática profissional em uma instituição concerne na incapacidade dos sujeitos em combater as dificuldades15. Jovens profissionais geralmente precisam aprender a lidar com as demandas do trabalho, desenvolver habilidades e maturidade relacional16.

Nenhuma variável sociodemográfica mencionada apresentou associação com o desfecho. A diferença de gênero pode estar relacionada a três questões: a responsabilidade familiar, o tipo de ocupação e o papel do sexo na socialização e um envolvimento maior das mulheres com cuidados, alimentação e preocupação com o bem-estar de outras pessoas15.

Verificou-se maior ocorrência de Burnout nos docentes que tinham maior número de disciplinas. A elevação no número de alunos corresponde ao aumento de demandas, tornando o trabalhador mais vulnerável ao Burnout. Ao longo do exercício profissional, se o docente tem elevada carga horária diária, com muitas disciplinas a ministrar, elevado número de alunos, se a cobrança pela qualidade do ensino é maior (por se tratar de uma instituição de nível superior) e se as relações interpessoais entre aluno/docente se intensificam, o desgaste profissional é aumentado, o que pode desencadear a síndrome15.

A maioria dos professores exerce dupla jornada de trabalho, tem número elevado de horas trabalhadas e vínculo com mais de uma instituição, caracterizando-se como sobrecarga de trabalho3. Ao longo do exercício profissional, uma elevada carga horária diária aumenta o desgaste profissional, possibilitando o desenvolvimento da síndrome. A sobrecarga de trabalho pode ocorrer por falta de competências ou tendência para determinadas tarefas, apesar de a carga exigida não ser anormal nos dias atuais5.

A despersonalização é o resultado do desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas, por vezes indiferentes e cínicas em torno daquelas pessoas que estão em contato direto com o profissional em seu ambiente de trabalho. É um fator de proteção, mas pode representar um risco de desumanização, constituindo a dimensão interpessoal de Burnout. Os docentes que relataram que essa não era sua ocupação principal, que relataram necessidade de atualização profissional, bem como os que referiram elevado número de disciplinas tiveram médias significativamente maiores de exaustão emocional.

A existência de qualquer doença de base nos professores foi também condição associada significativamente com a síndrome de Burnout. Santos17, ao avaliar os determinantes do processo saúde/doença em professores do ensino básico da cidade de São Paulo, observou que o tempo prolongado no exercício do magistério, o número excessivo de alunos em classe, as jornadas extenuantes, o acúmulo de responsabilidades transferidas à escola, o desgaste na capacidade de trabalho e a desvalorização do magistério — características relacionadas às dimensões do Burnout — são fatores que, de maneira cumulativa, desencadeiam adoecimento no professor, principalmente no que diz respeito à elevação da pressão arterial.

A exaustão emocional é caracterizada por um forte sentimento de tensão emocional, que produz uma sensação de esgotamento, de falta de energia e de recursos emocionais próprios para lidar com rotinas da prática profissional, representando a dimensão individual da síndrome, é a primeira a surgir. No presente estudo, as médias dos escores dessa dimensão foram significativamente maiores nos indivíduos com presença de doença de base e hipertensão.

A identificação do perfil e dos sinais precoces de desenvolvimento do Burnout é de fundamental importância para intervenções preventivas11. O adoecer e morrer por causa do trabalho gera situações evitáveis, e não se pode aceitar passivamente que o trabalho seja causador de doenças ao trabalhador, produzindo interferências na quantidade e na qualidade de vida18.

A equipe acadêmica deve saber sobre estressores e seu impacto no desempenho. Isso permitirá a tomada de medidas apropriadas para minimizar esses aspectos e também reorganizar suas ações19. Nesse contexto, a multiplicidade de tarefas dos professores universitários se resume a: ensino, administração e pesquisa. O valor atribuído a cada um deles é muito diferente e, às vezes, uma fonte de conflito, tendo em vista que as tarefas relacionadas ao ensino não recebem reconhecimento o suficiente20.

Nesse sentido, novas pesquisas devem ser desenvolvidas no Brasil para continuar explorando a influência de variáveis que envolvam processos entre indivíduos e o ambiente, com a finalidade de estabelecer a sua participação no desenvolvimento de fenômenos que atingem a saúde do trabalhador.

 

CONCLUSÃO

Este estudo demonstrou que a prevalência da síndrome de Burnout nos professores universitários no município de Caicó, Rio Grande do Norte, é relativamente alta. O número elevado de disciplinas ministradas e a existência de qualquer doença de base nos professores foram as condições associadas significativamente com a síndrome de Burnout.

As médias de despersonalização foram destaques nas variáveis: ocupação principal, atualização profissional e número elevado de disciplinas. As médias de exaustão foram maiores diante da presença de doença de base e hipertensão. A detecção precoce de níveis sintomáticos de Burnout pode ser um bom indicador de possíveis dificuldades, possibilitando intervenções preventivas e elaboração de medidas de enfrentamento.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a todas as instituições de ensino superior envolvidas neste estudo.

 

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Recebido em 30 de Janeiro de 2019.
Aceito em 10 de Junho de 2019.

Fonte de financiamento: nenhuma


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