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ARTIGO DE REVISAO

Saúde, trabalho e doença do peão pantaneiro: uma revisão integrativa

Work, health and disease among rural workers in wetlands: integrative review

Eduardo Espíndola Fontoura-Junior1; Liliana Andolpho Magalhães Guimarães2

DOI: 10.5327/Z1679443520190311

RESUMO

O peão pantaneiro é um trabalhador típico do pantanal brasileiro, cujo ambiente de trabalho é de fauna e flora exuberante, porém repleto de perigos. Este estudo teve por objetivo analisar os aspectos saúde-trabalho-doença do peão pantaneiro, identificando seus fatores de risco. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com buscas realizadas no Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Public/PublisherMedical Literature Analysis and Retrieval System Online (PubMed), Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC), Portal de Periódicos e Banco de Teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Banco de Teses e Dissertações da Universidade Estadual de Campinas, da Universidade de São Paulo, da Universidade Católica Dom Bosco (Campo Grande, Mato Grosso do Sul) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, além do Google Acadêmico, no período de 2006 a 2016. Os resultados obtidos foram 27 estudos, 18 artigos científicos, 2 teses, 5 dissertações e 2 e-books. Foram evidenciados riscos relacionados a acidentes com animais, sobrecarga de trabalho, bem como exposição a intempéries, vírus, bactérias, substâncias químicas, entre outros. O estudo apontou para a necessidade de implementação das atividades propostas nas políticas públicas que visam à prevenção, promoção e recuperação da saúde, atentando especialmente às relacionadas à segurança e saúde do trabalhador.

Palavras-chave: pantanal; saúde do trabalhador; saúde da população rural; condições de trabalho; fatores de risco.

ABSTRACT

Rural workers represent the typical population of workers in the Brazilian Pantanal, their work environment being characterized by exuberant fauna and flora, but also countless hazards. The aim of the present study was to analyze work, health and disease aspects of rural workers in Pantanal and the corresponding risk factors. It consists in an integrative review of studies published from 2006 to 2016 located in databases Regional Library of Medicine (BIREME), Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), MEDLINE, PubMed, Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC), the journal portal and dissertation database of the Brazilian Federal Agency of Support and Evaluation of Graduate Education (CAPES), dissertation databases of Universidade Estadual de Campinas, Universidade de São Paulo, Universidade Católica Dom Bosco (Campo Grande, Mato Grosso do Sul) and Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, and Google Scholar. We retrieved 27 publications, being 18 scientific studies, 2 PhD and 5 MA dissertations and 2 e-books. Evidenced hazards include accidents involving animals, work overload, and exposure to weather conditions, viruses, bacteria and chemicals, among others. The results point to the need to implement actions considered in public policies for prevention, health promotion and recovery, with particular focus on safety and health at work.

Keywords: wetlands; occupational health; rural health; working conditions; risk factors.

INTRODUÇÃO

A região do pantanal é considerada a maior planície alagada do mundo, com aproximadamente 230 mil km2 de extensão. Estima-se que 150 mil km2 façam parte do território brasileiro, sendo 35% localizados no estado de Mato Grosso, 65% no estado de Mato Grosso do Sul e os 80 mil km2 restantes se encontram nos países da Bolívia e do Paraguai1. É um vasto espaço geográfico, com uma rica hidrografia, que sofre a ação da natureza com períodos alternados de chuva e seca, onde fauna, flora e homem convivem ora harmonicamente, ora em conflito, na luta pela vida e riquezas naturais2.

Espíndola e Vianna3, tendo investigado sobre quem é o homem pantaneiro, afirmam que ele faz parte de uma das populações "invisíveis" da sociedade brasileira, conquanto contribua significativamente para o desenvolvimento do país. Levados por essa linha de raciocínio, Cunha e Atanaka-Santos4 ressaltaram a necessidade de realizar pesquisas no pantanal, com os pantaneiros, em decorrência das circunstâncias em que são oferecidos os serviços de saúde e saneamento, em razão da precariedade nas condições de vida, das mudanças no processo produtivo de trabalho, modos de vida e condições de saúde da população pantaneira.

De acordo com Cabrita e Cáceres5, o peão pantaneiro é aquele que nasce, cresce e vive em torno do manuseio do gado; é um elemento típico da região, que detém o saber e o conhecimento do trabalho que executa, conhece a região do pantanal como se tivesse um mapa na cabeça. O pantaneiro exerce uma profissão considerada pesada e fatigante, que o expõe de forma direta e diária ao sol, à chuva e a outras intempéries da natureza. Embora o pantanal seja um lugar de beleza exuberante, os peões relatam a existência de perigos que podem trazer sérias implicações para aqueles que têm pouca experiência6.

Os perigos mencionados podem ser mensurados de acordo com o grau de risco, conforme a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), por atividade econômica. Conforme a intensidade do risco, inerente a cada ocupação, a escala pode variar de 1 a 4 (pela CBO a atividade do peão é classificada como grau 3)7.

Pesquisadores e órgãos mundiais, por meio de dados epidemiológicos, concluíram que a agropecuária é uma das atividades mais perigosas do mundo para se trabalhar. Embora represente importante setor para a economia, é um ramo responsável por um grande número de acidentados e doentes8-11. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos de São Paulo (Dieese), em 2014 o setor agropecuário brasileiro foi responsável por 17.008 acidentes típicos, 1.210 acidentes de trajeto e 3.865 doenças ocupacionais12.

A relação entre a vida, o adoecimento e a morte dos trabalhadores em nosso país está ligada aos processos de trabalho regidos pelos contextos político e econômico, o que tem ocasionado a perda dos direitos sociais e trabalhistas, a violência moral, os ambientes insalubres, o aumento da jornada de trabalho e a sobrecarga das funções, fragilizando o trabalhador e provocando danos psicológicos e físicos13. A Organização Internacional do Trabalho14 apresentou a estimativa de 160 milhões de novos casos de doenças relacionadas ao trabalho a cada ano, condição que caracteriza uma pandemia oculta, com destaque para o aumento dos transtornos musculoesqueléticos (TME) e a ascendência dos transtornos mentais (estresse, ansiedade e depressão). Sabe-se que os casos de doenças relacionadas ao trabalho citados abrangem também os trabalhadores do campo.

Compreende-se que a saúde e a segurança no trabalho são direitos das pessoas, sejam elas de áreas urbanas ou rurais; porém, é fato que as áreas rurais têm sofrido diversas formas de exclusão, principalmente pela distância e por dificuldades de acesso. Esse direito tornou-se mais visível a partir da saúde do trabalhador, que é uma parte da saúde pública inserida no Sistema Único de Saúde, cuja meta é a análise, o estudo, a vigilância dos riscos ambientais e a intervenção das relações entre o trabalho e a saúde, a fim de garantir a promoção, a proteção, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação integrada da saúde dos trabalhadores7.

Dessa forma, entende-se que o processo de trabalho é um dos principais determinantes de saúde e doença da população15. Assim, a saúde, a doença, o trabalho, a produção e o ambiente são indissociáveis, tal como o direito à vida, ao trabalho justo e digno são sinônimos de qualidade de vida e saúde7.

Diante das considerações acerca da temática, entende-se a necessidade de buscar evidências que possam identificar problemas e fatores de risco à saúde do pantaneiro, buscando visibilizar a atividade laboral desses profissionais, a fim de descobrir as causas do seu adoecimento por meio da literatura.

 

MÉTODO

A fim de analisar e sintetizar o conhecimento a respeito dos aspectos relacionados à saúde, trabalho e doença dos peões pantaneiros, optou-se pela revisão integrativa da literatura. Esse método permite agrupar estudos com temáticas similares e idênticas, como também as abordagens metodológicas diferentes. Pode-se afirmar que reunir e sumarizar estudos a respeito de determinado tema é o propósito desse tipo de pesquisa16. Portanto, para a realização desta revisão foram obedecidas as seguintes etapas: formulação do problema e questão norteadora; busca, seleção de amostragem e avaliação de estudos por meio dos critérios de inclusão e exclusão (Figura 1); análise para a categorização dos estudos, definição, síntese e extração das informações das pesquisas (Tabelas 1 e 2); avaliação dos estudos extraídos; interpretação e discussão dos resultados; e conclusão17.

 


Figura 1. Etapas da seleção dos artigos, nas bases de dados descritas, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 2016 (n=27).

 

Assim, com base na formulação do problema, foram selecionadas pesquisas acerca dos peões pantaneiros, seu trabalho e a relação com o processo saúde-doença, que originaram a seguinte questão norteadora: quais são os principais problemas relacionados à saúde, trabalho e doença dos peões pantaneiros, bem como os fatores de risco à saúde no processo de trabalho desses trabalhadores?

Para o levantamento da produção científica sobre o tema foram utilizados os seguintes descritores em ciências da saúde (DeCS) em português, da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS): pantanal, saúde, doença e saúde do trabalhador rural; em inglês: wetlands, wetland, health, disease, rural workhealth; e em espanhol: pantanal, salud, enfermedad, salud del trabajador rural. Diante da carência de estudos verificada pela utilização desses DeCS, optou-se pelas palavras-chave "pantaneiro" e "peão pantaneiro". Todas as palavras e DeCS foram utilizados em combinações diferentes, por meio dos operadores booleanos AND, OR e NOT, com as seguintes estratégias de busca: wetlands AND wetland; wetlands AND health AND disease; wetlands AND rural workhealth; pantanal OR salud OR enfermedad OR salud del trabajador rural; pantanal OR pantaneiro OR peão pantaneiro; pantanal AND pantaneiro AND peão pantaneiro NOT fauna NOT flora.

A consulta às bases de dados se deu no período de janeiro a abril de 2016, com buscas na BVS, Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Public/Publisher Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (PubMed), Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC), Portal de Periódicos e Banco de Teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Banco de Teses e Dissertações da Universidade Estadual de Campinas, da Universidade de São Paulo, da Universidade Católica Dom Bosco (Campo Grande, Mato Grosso do Sul) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e Google Acadêmico, cobrindo os anos de 2006 a 2016, que correspondem a publicações nos últimos 10 anos.

Delimitaram-se os seguintes critérios de inclusão:

• artigos científicos, teses, dissertações e livros completos, disponíveis online;

• estudos redigidos em português, inglês ou espanhol;

• publicações de 2006 até 2016;

• estudos envolvendo a população residente no pantanal;

• investigações sobre os processos de saúde, trabalho e doença do peão pantaneiro e povos do pantanal.

Elaborou-se, primeiramente, um fluxograma de identificação das obras selecionadas e excluídas (Figura 1); posteriormente, criou-se um quadro sinóptico com os estudos selecionados (Tabela 1) e, por fim, a classificação das referências de acordo com o trinômio saúde-trabalho-doença (Tabela 2). Após a leitura pormenorizada dos estudos selecionados, estes também foram classificados de acordo com os problemas e riscos encontrados na literatura, de acordo com as normas regulamentadoras (NR). A NR-9 estabelece o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais e apresenta a classificação dos três principais grupos de riscos ocupacionais:

 

 

 

• riscos físicos;

• riscos químicos;

• riscos biológicos.

A NR-17 estabelece os riscos ergonômicos e a NR-31 trata dos riscos de acidentes ou mecânicos em ambiente rural18. Outro risco que fez parte dessa classificação foi o psicossocial, também conhecido por riscos psicossociais ou fatores psicossociais de risco no trabalho (FPRT) que, de acordo com a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, são aqueles associados às consequências psicológicas, físicas e sociais19. A classificação realizada apresenta-se na Tabela 2.

 

RESULTADOS

O processo de busca utilizou os DeCS individuais e, em seguida, procedeu-se ao cruzamento entre eles nas bases de dados. Nessa triagem foram identificadas 1.370 pesquisas que, submetidas aos critérios de exclusão, perfizeram o total de 27 estudos (Figura 1).

Descrevem-se, a seguir, os resultados e respectivos fatores de riscos na atividade laboral do peão pantaneiro encontrados nos estudos pesquisados:

• físicos;

• biológicos;

• químicos;

• ergonômicos;

• mecânicos;

• psicossociais.

A análise dos estudos incluídos nesta revisão constatou que os tipos de publicação mais frequentes foram os artigos científicos (66,7%), seguidos das dissertações (18,5%), teses (7,4%) e e-books (7,4%). Com relação ao fluxo de publicações, o maior número de estudos deu-se no ano de 2010 (22,2%) e o menor, nos anos de 2006, 2013 e 2016 (3,7%). Quanto à abordagem metodológica, foram selecionadas 14 (51,8%) pesquisas qualitativas, 4 (14,8%) bibliográficas, 4 (14,8%) experimentais, 2 (7,4%) mistas ou qualiquantitativas, 2 (7,4%) epidemiológicas e 1 (3,7%) editorial. No tocante ao idioma dos estudos, 23 (85,2%) estavam escritos em português e 4 (14,8%), em inglês, destacando-se, com o maior número de publicações, os estados do Mato Grosso do Sul, com 18 (66,7%) e do Mato Grosso, com 9 (33,3%).

 

DISCUSSÃO

PROBLEMAS RELACIONADOS AO TRABALHO DO PEÃO PANTANEIRO

Os peões pantaneiros são homens de hábitos simples, de grande resistência e habilidade. Desde tempos remotos, seu cotidiano esteve relacionado à lida e aos cuidados dos animais. A sua reconhecida experiência no campo muito se deve às aproximações, ainda na infância, com as atividades da profissão nas fazendas20,41-44. No cotidiano de trabalho o peão utiliza, rotineiramente, sua montaria, seu equipamento de arreio (tralhas), laço e pode usar faca, facão, foice, machado e motosserra, o que constitui riscos inerentes ao manuseio desses objetos6.

Com relação aos regimes de trabalho, existem duas formas de atuação nas fazendas para esse profissional: como trabalhador formal e informal ou como autônomo nas comitivas pantaneiras5,21-24. Essa última é uma prática antiga, que sobrevive ainda hoje na região, mesmo com a concorrência com os caminhões boiadeiros, pois se acredita ser a melhor forma de se conduzir o gado de uma região para a outra, em virtude das características do ambiente pantaneiro, das enchentes e queda de pontes que impossibilitam o trajeto dos caminhões pelas estradas, além de ser a opção mais econômica, segundo o ponto de vista de alguns fazendeiros3,5,6,20,43.

De novembro a março o pantanal é tomado por grande volume de água. Nessa época, os peões transportam o rebanho para terras mais altas, atividade que exige a travessia em regiões alagadas, expondo o trabalhador à temperatura da água e ao risco de ataque de animais como sucuris, jacarés e piranhas3,6,20,22,25,26.

Cabrita43 descreve o relato de um peão que transportou 1.200 cabeças de gado em comitiva, transpondo obstáculos naturais. Nessa atividade, os peões podem trabalhar até dez horas por dia, percorrendo grandes distâncias montados, sob o sol forte, chuva ou temporal com raios, correndo o risco também dos ataques de animais selvagens como onças, cobras, abelhas e outros insetos. No transporte do gado existem outros riscos, como do estouro de boiada, de serem pisoteados pelo gado e de queda de cavalo24,25,27. As grandes distâncias constituem um problema que faz parte da característica geográfica da região, principalmente nas situações de urgência e emergência, para assistência à saúde.

Diante dos riscos apresentados, pode-se questionar: como os pantaneiros se protegem no seu dia a dia? Acredita-se que o princípio da resposta esteja na afirmação de que o peão pantaneiro, para sobreviver na região do pantanal, com o tempo, necessitou integrar-se à natureza e em muitos casos adaptar-se diante de situações adversas, tornando-se assim um engenhoso improvisador, por meio de uma pacífica intervenção na natureza, a fim de realizar as suas atividades de trabalho rural exercido nas fazendas, que se caracteriza tradicionalmente pela pecuária de corte45.

Por exercer a pecuária, menciona-se a importância do cavalo para o homem pantaneiro, visto como um instrumento indispensável de trabalho e um amigo. Essa relação, que envolve aspectos históricos, culturais e sociais, ultrapassa as fronteiras do comportamento humano ou animal, pois alguns autores já constataram que o cavalo, de alguma forma, transmite segurança ao peão e, assim, os dois se sentem capazes de enfrentar as circunstâncias hostis que surgem no lugar em que vivem28,45.

Com a identificação dos problemas relacionados à atividade laboral do peão pantaneiro e das descrições feitas, percebe-se que um trabalho multidisciplinar envolvendo os peões, seus animais, fazendeiros, profissionais de saúde e pesquisadores será positivo na busca de estratégias para minimizar os fatores de risco à saúde desses trabalhadores.

OS FATORES DE RISCO E SUA RELAÇÃO COM A SAÚDE-TRABALHO-DOENÇA DO PEÃO PANTANEIRO

A saúde dos trabalhadores do campo, da floresta e das águas, incluindo os pantaneiros, é condicionada a fatores sociais, raciais, de gênero, econômicos, tecnológicos e organizacionais relacionados ao perfil de produção e consumo, além de fatores de risco de natureza física, química, biológica, mecânica e ergonômica presentes nos processos de trabalho44. Esses fatores de risco são descritos por meio das NR.

As NR foram criadas a partir da Lei nº 6.514, de 1977, e aprovadas pela Portaria do Ministério do Trabalho nº 3.214, de 8 de junho de 1978, e se referem à segurança e medicina do trabalho, pois fornecem o embasamento necessário para que as empresas administrem os possíveis riscos à saúde dos trabalhadores e os previnam18. Embora as NR tenham sido criadas para atender ao trabalhador "formal", elas também podem ser aplicadas ao trabalhador "informal", conjuntamente às leis do Sistema Único de Saúde (SUS), que são universais. Trata-se de um aspecto relevante, pois a informalidade foi um dos principais problemas encontrados neste estudo, conforme já mencionado20-23. A presente revisão também observou que não há dados estatísticos de grande parte desses peões e o tempo de experiência no trabalho das fazendas não salvaguarda a estabilidade empregatícia, pois segundo uma pesquisa, 32,6% deles são trabalhadores sem registro23.

A European Agency for Safety and Health at Work19 tem chamado a atenção da comunidade científica para os denominados fatores psicossociais de risco no trabalho, por serem de extrema relevância, muitas vezes ocultados ou negligenciados. São descritos como preocupação em nível mundial e considerados estressores ao trabalhador que não possui recursos suficientes para o seu enfrentamento. Portanto, considerando as referências de Cox e Griffiths46, da International Labour Organization47 e da Organização Internacional do Trabalho48, incluiu-se esse fator de risco na classificação anteriormente construída, pelo fato de os pesquisadores entenderem que os fatores psicossociais podem permear todos os outros riscos.

Em virtude do aumento das doenças em trabalhadores das diversas áreas, esses riscos adquiriram, nos últimos anos, um maior destaque49, contudo torna-se primordial conhecer o que são os FPRT. De acordo com a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho19: "Os riscos psicossociais são aqueles associados às consequências psicológicas, físicas e sociais adversas resultantes de uma organização e uma gestão desfavoráveis no local de trabalho, bem como de um contexto social negativo no trabalho".

Alguns estudos encontrados nesta revisão mencionaram os fatores de risco relacionados ao trabalho do peão pantaneiro, classificados como FPRT (Tabela 2), destacando-se o trabalho informal e exaustivo, longas horas de trabalho, a zeladoria de grandes quantidades de animais, o desamparo de normas de segurança e saúde do trabalhador, condições de lazer para si e a família5,20-24.

Costa e Santos50 reconhecem os FRPT como um dos maiores desafios da atualidade para segurança e saúde no trabalho, tendo em vista a necessidade de que suas consequências para a saúde dos trabalhadores sejam mensuradas, com vistas à intervenção, no contexto de trabalho, no sentido de se estabelecerem novas formas de gestão voltadas para melhores condições de saúde, segurança e qualidade de vida, especialmente para os trabalhadores do campo, pois normalmente são uma categoria que carece de atenção com relação aos problemas relacionados à saúde.

PROBLEMAS RELACIONADOS À SAÚDE E DOENÇA DO PEÃO PANTANEIRO

Alguns estudos evidenciam que no Brasil rural foram identificadas altas taxas de morbimortalidade, incidência de doenças regionais e insalubridade, que estão relacionadas à dificuldade de acesso aos recursos indispensáveis à vida, o que indica condições de extrema carência. Entre eles, estão os povos do pantanal4,40,44,51. Em relação às doenças, os pesquisadores descreveram contaminação no solo por enteroparasitos, doenças parasitárias em geral, inclusive a toxoplasmose, que pode causar malformações no feto, cegueira e alterações nos órgãos29,30.

O ambiente profissional do pantaneiro é ao ar livre, sem controle dos elementos da natureza; o trabalho inicia-se cedo e exige da parte física do peão, pois se estende por longos períodos25,52. Nesse local é comum a ocorrência de brucelose, que pode ser transmitida aos seres humanos por conta do contato direto com animais, como os bovinos4,6. Há também casos de febre aftosa, doença que provoca lesões na pele, boca e entre os dedos, podendo ocorrer pela ingestão de leite não pasteurizado e consumo de carne de animais contaminados; menciona-se ainda o risco da raiva (hidrofobia), que é transmitida pela saliva, lambedura e secreções de animais53.

Com relação às doenças infecciosas que acometem os pantaneiros, destacam-se algumas de grande risco e importância: a febre maculosa, uma doença infecciosa febril aguda, grave, transmitida pelo carrapato infectado pela bactéria Rickettsia; a lepra ou hanseníase, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, capaz de provocar cegueira, falência renal, deformações no rosto, no corpo e lesão nos nervos periféricos; a leptospirose, causada pela bactéria leptospira, que é mais uma doença infecciosa (zoonose) transmitida pelo contato com a urina de animais infectados (equinos, bovinos, cães, ratos) ou água e lama contaminadas, que pode acometer fígado, rins e pulmão, podendo, ainda, levar à hemorragia e ao comprometimento grave desses órgãos. Essa doença é endêmica de regiões alagadiças, como o pantanal31-33. Por ser inevitável a exposição às intempéries tais como calor, frio e umidade, os peões pantaneiros também estão expostos às doenças infecciosas como a dengue, a problemas respiratórios como a pneumonia, oftalmológicos, doenças renais, intestinais, entre outros25,44,51.

Alerta-se para o despejo in natura de esgoto, agrotóxicos, lixo e sedimentos utilizados pelas fazendas de cultivo agropecuário, que ameaçam o ciclo das águas nos rios formadores do Pantanal, originando a contaminação da água, condição que causa doenças como as diarreias, que podem levar à desidratação4,31,34,35,54. Pesquisadores36 investigaram a prevalência de hepatite A em pantaneiros e obtiveram um resultado de 79,1% de casos confirmados dessa doença. O estudo concluiu que os pantaneiros usavam a água do rio para lavagem, consumo e higiene pessoal sem que houvesse saneamento.

O estudo de Bigaton37 revelou elevada prevalência global de hepatite B (36,5%) nas comunidades pantaneiras (Mato Grosso do Sul) do Passo do Lontra e Paraguai Mirim. De acordo com Rodrigues55, o vírus da hepatite B foi encontrado em usuários de drogas ilícitas, numa prevalência de 0,4%.

Há também o risco das doenças emergentes — as que são novas, desconhecidas da população, como a gripe H1N1 — e as doenças reemergentes — já conhecidas, anteriormente controladas, que ressurgem e ameaçam a saúde humana, como a febre amarela e a tuberculose —, razão pela qual devem ser todas monitoradas no pantanal4.

Nas últimas duas décadas, a ocorrência das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) se tornou a principal causa de morte em todo o mundo, e as quatro principais doenças (cardiovascular, obstrutiva pulmonar crônica, diabetes e câncer) são responsáveis por mais de 60,0% de todos os óbitos56. Esses dados emitem um importante alerta, especialmente por serem atuais e pela ocorrência de algumas dessas doenças em pantaneiros. Nessa direção, estudos31,38 alertam para os desafios para se trabalhar com um grupo de hipertensos e diabéticos, em decorrência das questões culturais, econômicas e climáticas da região pantaneira, em especial nas regiões de Rio Negro (Mato Grosso do Sul) e de Barão do Melgaço (Mato Grosso).

As drogas lícitas e ilícitas são mencionadas no estudo de Ribeiro39, representando sérios problemas de ordem social e de saúde pública, tendo em vista que geram violência, desestruturação familiar, todo tipo de enfermidade, internações para tratamento, entre outros. A pesquisadora explica que as mudanças implementadas pela tecnologia na agropecuária, o advento do turismo e as novas formas de relação social no pantanal promoveram a entrada desenfreada das bebidas alcoólicas na região. Descreve também que antigamente os patrões controlavam mais a entrada de bebidas nas fazendas, pois entendiam que o seu uso frequente reduzia a qualidade do trabalho e gerava violência entre os colegas de trabalho e familiares39. Portanto, entende-se que as drogas podem desencadear as causas externas, que constituem um problema relevante relacionado à saúde-doença do peão pantaneiro. De acordo com a Décima Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, denominam-se as seguintes causas externas: acidentes, violência, lesões, envenenamentos, homicídios e suicídios57.

Pinto25 entrevistou peões pantaneiros e um deles assim relata a ocorrência dos TME: "continuei a vida no campo de novo, de campeiro, aí levei uma rodada e se quebrei todo, quase morri, fiquei 24 horas desacordado...". Esses acidentes são geradores de enfermidades, afastamento do trabalho e todo tipo de dor; sua recuperação é dolorosa, morosa e, muitas vezes, necessitam de procedimento cirúrgico e fisioterapia por longos períodos29,31,51.

 

CONCLUSÃO

Diante do cenário descrito, os organismos internacionais têm sinalizado um agravamento no ambiente de trabalho rural, representado por altas taxas de morbimortalidade que afligem essa classe trabalhadora em todo o mundo. Nos países emergentes, a situação agrava-se ainda mais por causa da falta de suporte aos trabalhadores rurais. Considera-se fundamental que os órgãos responsáveis pela saúde do trabalhador possam realizar mais intervenções nos processos de trabalho com riscos à vida dos trabalhadores, em especial os rurais.

Dessa forma, foram identificados, por meio dos estudos selecionados, aspectos que trataram da saúde-trabalho-doença dos peões pantaneiros, bem como o reconhecimento dos fatores de risco, incluindo os psicossociais, que podem trazer repercussões a essa categoria de trabalhadores do pantanal.

Este estudo revelou que o peão pantaneiro está exposto a condições de trabalho perigosas e insalubres, a doenças transmissíveis e não transmissíveis e a fatores de risco de toda ordem. Fica evidente a necessidade de atenção à saúde do peão, com a implementação das atividades propostas nas políticas públicas que visam à prevenção, promoção e recuperação da saúde, atentando especialmente às relacionadas à segurança e à saúde do trabalhador. Propõe-se, também, o apoio à realização de mais pesquisas exploratórias e diagnósticas que visem trazer benefícios a essa população. Destaca-se a relevância da realização de um trabalho multidisciplinar com a participação de peões, fazendeiros, tratadores, treinadores, criadores, pesquisadores e demais profissionais, com o objetivo de promover o conhecimento e as discussões visando à melhoria da saúde do peão pantaneiro.

Há algumas limitações do estudo, quanto à inexistência de pesquisas em bases de dados importantes, como PePSIC, SCOPUS e o discreto número de estudos relacionados às diversas áreas do saber e sua interlocução com a saúde dos pantaneiros. Ainda com relação às limitações, ao comparar a revisão sistemática com a integrativa, pode-se afirmar que a sistemática poderia proporcionar mais informações estatísticas sobre o tema, de acordo com a técnica denominada metanálise; que seria relevante diante da necessidade de uma pergunta e problema específicos de saúde a respeito da causa e diagnóstico, envolvendo a eficácia da intervenção relacionada à solução desse problema; e a revisão sistemática seria importante, por exemplo, na abordagem metodológica, selecionando estudos experimentais a respeito da temática.

Por fim, a escolha da revisão integrativa proporcionou a síntese dos resultados obtidos das pesquisas a respeito do tema e da questão selecionada, bem como o seu direcionamento, descritos de maneira abrangente e ordenada. Dessa forma, forneceu informações mais amplas a respeito do problema discutido, constituindo-se, assim, um corpo de conhecimento relacionado ao peão pantaneiro, categoria profissional descrita neste estudo. O método permitiu ainda a inclusão simultânea de vários tipos de pesquisas, de natureza teórica e empírica, o que possibilitou uma compreensão mais abrangente do tema apresentado.

 

AGRADECIMENTO

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o apoio.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em 30 de Agosto de 2018.
Aceito em 30 de Abril de 2019.

Fonte de financiamento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)


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