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ARTIGO ORIGINAL

Análise comparativa dos fatores associados em acidentes com materiais biológicos em profissionais de saúde

Factors associated with accidents involving biological material among health professionals

Leila de Fátima Santos1,2; Gleisy Kelly Neves Gonçalves2; Soraya Rodrigues de Almeida Sanches1; Wanessa Trindade Clemente1

DOI: 10.47626/1679-4435-2022-994

RESUMO

INTRODUÇÃO: Acidentes envolvendo material biológico com instrumentos cortantes e perfurantes entre profissionais de saúde têm sido causa de aumento de infecção hospitalar e, portanto, de contaminação do paciente.
OBJETIVOS: Comparar fatores associados ao acidente com material biológico em trabalhadores da saúde.
MÉTODOS: Estudo epidemiológico transversal envolvendo 229 profissionais, médicos e não médicos (2019-2020).
RESULTADOS: A amostra total foi composta por 229 profissionais (48,1% médicos, 51,9% não médicos, 51,5% mulheres, 48,5% ≥ 40 anos, 55% viviam com companheiro, 57,6% tinham nível educacional de especialização/pós-graduação, 51,5% ≥ um filho). Os profissionais médicos apresentaram maior escolaridade, mais de um emprego e maior proporção de ocorrência de acidentes, bem como menor proporção de exames admissionais, treinamentos específicos e contato com supervisor em casos de acidentes. Ainda, os profissionais médicos apresentaram associação positiva dos acidentes com o tempo de trabalho e o tempo de experiência no bloco cirúrgico, enquanto a idade apresentou relação inversa com as chances de acidentes.
CONCLUSÕES: Diferentes categorias de trabalho apresentaram perfil específico de riscos envolvendo estudo e tempo de serviço, baixa notificação e risco subestimado. Os resultados deste estudo mostraram que o nível de estudo e o tempo de serviço não foram capazes de garantir a prevenção de acidentes envolvendo material biológico. Além disso, profissionais médicos e não médicos apresentaram não apenas uma incidência significativa de acidentes, mas também um perfil de comportamento semelhante diante do evento, com baixa notificação e risco subestimado do acidente.

Palavras-chave: pessoal de saúde; ferimentos penetrantes; exposição profissional; fatores de risco; subnotificação.

ABSTRACT

INTRODUCTION: Accidents with biological material and cutting/piercing instruments among health professionals have led to increased rates of hospital infection and subsequent patient contamination.
OBJECTIVES: To compare factors associated with accidents involving biological material among health workers.
METHODS: This cross-sectional epidemiological study, conducted in 2019-2020, included 229 physicians and non-physicians.
RESULTS: The sample was 60.7% physicians and 39.3% non-physicians; 51.5% were women; 48.5% were aged ≥40 years; 55% lived with a partner; 57.6% had a specialist or graduate degree; and 51.5% had ≥ 1 child). The physician group had a higher education level, worked > 1 job, and had a high rate of accidents, in addition to lower rates of pre-employment examinations, specific accident training, and supervisor contact in case of accidents. There was also a positive association in the physician group between accidents, employment length, and operating room experience, while age was inversely correlated with accident risk.
CONCLUSIONS: Different worker categories had specific risk profiles that involved education level, employment length, a low notification level, and risk underestimation. The results showed that education level and employment length do not guarantee accidents prevention. Both the physician and non-physician groups had significant accident rates and a similar behavior profile when events occurred, including low notification rates and underestimating the risk involved in the accident.

Keywords: health personnel; penetrants; professional exposure; risk factors; underreporting.

INTRODUÇÃO

Acidentes envolvendo material biológico com instrumentos cortantes e perfurantes entre profissionais de saúde têm sido causa de aumento de infecção hospitalar e, portanto, de contaminação do paciente. Nesse caso, há exposição envolvendo contato direto ou indireto com sangue humano e fluidos biológicos, com potencial grau de contaminação. A equipe de enfermeiros e médicos é a mais frequentemente vitimada por acidentes com objetos cortantes e perfurantes, tendo em vista a frequência com que manipulam esses materiais durante a execução de suas tarefas, especialmente em procedimentos mais invasivos1,2.

As diferentes áreas de atendimento da assistência hospitalar apresentam riscos específicos para as atividades realizadas. Os profissionais que trabalham em salas de cirurgia ou centro cirúrgico estão expostos a riscos físicos, químicos e, principalmente, biológicos1. Os acidentes de trabalho podem ser graves, com desfechos de infecção e até fatais3. Os objetos perfurocortantes, especificamente as agulhas, são considerados extremamente perigosos, pois são potencialmente capazes de transmitir diferentes patógenos. O vírus da hepatite B (HBV), o vírus da hepatite C (HCV) e o HIV são os principais tipos de contaminação associados a ferimentos com objeto perfurocortante1,4. Os riscos são ainda aumentados pela condição de pessoa não imunizada, que precisa ser testada e incluída em programa de profilaxia pós-exposição (PEP) e vacinação complementar para hepatites virais e tétano.

É importante conhecer os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência de acidentes com material biológico5. A fim de promover ações e treinamentos para reduzir esses eventos, é necessária a investigação das características profissionais e institucionais6.

O presente estudo tem como objetivo definir e comparar os fatores associados ao acidente com material biológico envolvendo médicos e profissionais não médicos, no centro cirúrgico de um hospital público de grande porte de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

 

MÉTODOS

CENÁRIO E DESENHO

Realizamos um estudo epidemiológico, transversal, com abordagem quantitativa sobre o risco biológico dos profissionais de saúde durante o processo de trabalho do centro cirúrgico. O estudo foi realizado em um hospital geral, público, de ensino e pesquisa, com atendimento exclusivo aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). O hospital está localizado na cidade de Belo Horizonte e tem papel fundamental na regulação das urgências/emergências da rede municipal, atendendo a emergências clínicas e traumatológicas e realizando cirurgias de pequeno a grande porte e com potencial de contaminação.

O local do estudo possui departamento de controle de infecção hospitalar em conformidade com as normas do serviço de saúde estadual e municipal e com os critérios definidos pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

POPULAÇÃO E PROCEDIMENTOS DO ESTUDO

A amostra de conveniência foi composta por médicos de diferentes especialidades, cirurgiões bucomaxilofaciais, enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem. Os profissionais que estavam presentes nos dias da coleta de dados foram convidados a participar do estudo e todos aceitaram, de modo que não houve perda da amostra. Desses, os profissionais foram divididos em dois grupos, médicos e não médicos, para facilitar a análise comparativa dos resultados. Foram considerados não médicos os cirurgiões bucomaxilofaciais e a equipe de enfermagem, composta por enfermeiros e técnicos de enfermagem.

A coleta de dados foi realizada de 2019 a 2020 por pesquisadores previamente treinados, utilizando o instrumento de coleta “Comply with post-exposure management among health care workers”, adaptado de Jansen (2014). O instrumento é composto por 47 questões, contendo variáveis demográficas e de exposição ocupacional, além de seguimento e PEP. Este estudo respeitou os princípios éticos e legais e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o número CAAE 57295816.6.0000.5149, conforme preconizado pela resolução nacional 466/2012 que trata de pesquisas envolvendo seres humanos.

ANÁLISES ESTATÍSTICAS

As estatísticas descritivas foram apresentadas como frequências e proporções, e foi realizada uma análise univariada, como o teste qui-quadrado de independência ou o exato de Fisher entre cada variável e os profissionais (médicos ou não médicos). As variáveis foram submetidas ao teste de normalidade de Shapiro-Wilk. Respostas do tipo “não sei” ou inexistentes foram consideradas como não respondidas. O teste Wilcoxon Mann-Whitney foi usado para testar a independência entre os dois grupos de profissionais. Regressões logísticas binárias foram realizadas para avaliar os fatores associados à ocorrência de acidentes com materiais biológicos. Foram construídos dois modelos diferentes: um entre os médicos e outro modelo entre os não médicos; esses dados foram apresentados por razão de chances (RC) e seu valor de p de significância em suas respectivas tabelas.

As variáveis com p < 0,20 na análise univariada foram incluídas em um modelo completo, que, por meio da estratégia backward, chegou ao modelo final, no qual as variáveis com p < 0,05 foram mantidas. Os resultados foram apresentados como RC e IC95%. As análises foram realizadas usando o programa gratuito R versão 4.0.2 e p < 0,05 foi considerado significativo.

 

RESULTADOS

ANÁLISE DESCRITIVA DA AMOSTRA

A amostra total foi composta por 229 profissionais. Desses, 60,7% eram médicos e 39,3% eram não médicos. Pouco mais da metade eram mulheres (51,5%), tinham pelo menos 40 anos de idade (48,5%), viviam com um parceiro (55%), com curso de pós-graduação (57,6%) e tinham pelo menos um filho (51,5%) (frequência não mostrada).

CARACTERÍSTICAS RELACIONADAS AO TRABALHO POR PROFISSÃO

Observamos maiores proporções de profissionais médicos que trabalhavam semanalmente na instituição até 24 horas (p < 0,001); em outros turnos diferentes do dia e da noite (p < 0,001); no setor de emergência (p < 0,001); no bloco obstétrico (p = 0,041); que trabalham em outras instituições de saúde (p < 0,001) e indivíduos que já sofreram acidente de trabalho com material biológico (p = 0,007) (Tabela 1). Mais da metade dos participantes do grupo de não médicos referiu trabalhar uma carga horária semanal entre 24 e 40 horas, no turno diurno, em um centro cirúrgico para cirurgias de urgência, e não exercer atividades em outras instituições de saúde.

 

 

Entre os médicos, observamos proporções menores de exames admissionais (p < 0,001), treinamento específico sobre prevenção e conduta (p = 0,004) e orientação para entrar em contato com o supervisor em caso de exposição a materiais biológicos (p = 0,005) (Tabela 2). Os participantes não médicos realizaram exames admissionais (90%), e 61,9% receberam treinamento específico relacionado à prevenção e conduta em caso de exposição a material biológico; 74,4% têm o supervisor de enfermagem como referência em casos de acidentes.

 

 

FATORES ASSOCIADOS À OCORRÊNCIA DE ACIDENTES DE TRABALHO COM MATERIAL BIOLÓGICO ENTRE MÉDICOS E NÃO MÉDICOS

Na análise univariada, foi apontado que nenhuma das características avaliadas estava significativamente associada à ocorrência de acidentes com material biológico. No modelo multivariado, o tempo de trabalho na instituição de 6 a 15 anos (p = 0,014) e a atuação no bloco eletivo (p = 0,042) foram associados a maiores chances de ocorrência de acidentes com material biológico, enquanto a idade entre 30 e 39 anos (p = 0,022) foi associada a uma menor chance de acidente no grupo de médicos.

Por sua vez, no grupo de não médicos, de acordo com a análise univariada, a maior chance de ocorrência de acidentes com material biológico estava presente nos profissionais que não tinham companheiro(a) (p = 0,017); tinham outro tipo de emprego (p = 0,015); tempo de trabalho na instituição de 6 a 15 anos (p = 0,043) e 16 anos ou mais (p = 0,014). Ter um ou mais filhos foi associado a uma menor chance de acidentes com material biológico (p = 0,005).

Resultados semelhantes foram indicados por meio de um modelo multivariado. Dessa forma, não ter companheiro(a) (p = 0,010) e tempo de trabalho na instituição de 6 a 15 anos (p = 0,007) e 16 anos ou mais (p = 0,013) foram associados a uma maior chance de acidente com material biológico, enquanto ter pelo menos um filho (p = 0,030) e relatar que a instituição possui normas padrão para notificação de exposição a sangue ou material biológico (p = 0,023) foram associados a uma menor chance de acidente (Tabela 3).

 

 

DISCUSSÃO

No presente estudo, verificamos, em síntese, que os médicos apresentaram maior chance de ocorrência de acidentes com material biológico do que os profissionais pós-graduados e com tempo de trabalho significativo na instituição; a idade apresentou relação inversa com a chance de acidentes com material biológico. O trabalho no bloco cirúrgico eletivo também esteve associado à ocorrência de acidentes. Além disso, observou-se maior prevalência de homens e maior escolaridade entre os médicos; a maioria deles com mais de um emprego e que já sofreram acidentes com material biológico; também realizaram menor proporção de exames admissionais e treinamentos específicos e contato com supervisor em casos de acidentes.

Em um estudo com 901 profissionais de saúde em um hospital na China, 27,5% sofreram uma lesão aguda em 2017. Antiguidade, tipo de trabalho, título, escolaridade, departamento e programas de treinamento foram fatores associados à ocorrência de acidentes com objetos cortantes. A abordagem estatística mais elaborada destacou a senioridade e os programas de treinamento mais relacionados à ocorrência de ferimentos agudos7. Semelhante ao nosso estudo, os autores mostraram que apenas 33,9% dos profissionais relataram seus ferimentos ao órgão em questão. O estudo de Cui et al.7 também mostrou que as principais razões para não relatar ferimentos cortantes foram: a percepção de que a extensão do ferimento ou lesão era pequena e se o profissional estava imunizado.

Comparando os achados, podemos observar que os hábitos e comportamentos diante dos acidentes de trabalho definem a conduta do profissional, dificultando o controle e a supervisão pós-acidente. Em outro estudo, a proporção de enfermeiros em relação à de médicos foi maior na ocorrência de acidentes de trabalho. Além disso, a idade superior a 40 anos foi associada a esses eventos4.

No Brasil, o perfil dos acidentes de trabalho foi investigado por meio de um estudo com desenho transversal. O estudo avaliou 47.629 participantes da Pesquisa Nacional de Saúde do Brasil. O acidente de trabalho teve associação com a ocorrência de ruído intenso, materiais biológicos, tempo de trabalho igual ou superior a 40 anos e esforço físico intenso8. Em relação ao nosso estudo, é notável que o tempo de trabalho e a exposição a materiais biológicos são fatores de grande influência na ocorrência de acidentes. Isso só reforça que os profissionais de saúde estão ainda mais expostos e, portanto, seus cuidados devem ser proporcionais a esse nível de risco.

No grupo de profissionais não médicos, a ocorrência de acidentes com material biológico esteve presente nos profissionais que não tinham companheiro(a), tinham outro tipo de emprego e mais tempo de trabalho na instituição. O número de filhos e o conhecimento de que a instituição possui normas padrão para notificação de acidentes também foram negativamente associados às chances de acidentes com material biológico. O tempo de trabalho na instituição e a idade também foram associados a acidentes com material biológico entre profissionais de saúde no Brasil. Um estudo9 entrevistou 226 profissionais de enfermagem de um hospital de alta complexidade em uma cidade do estado de São Paulo, Brasil. Dos 226, 17,3% tinham relatos de exposição ocupacional a material biológico potencialmente contaminado. Na amostra, a via percutânea também foi a mais associada aos acidentes.

Esse perfil de acidentes e os erros na condução dos acidentes com material biológico parecem se repetir nos diferentes locais de atendimento à saúde. Portanto, os cuidados com a prevenção desses acidentes devem fazer parte do planejamento da formação profissional e da logística nas rotinas dos serviços de saúde.

Nesse mesmo grupo (não médicos), a exposição a material biológico ocorreu principalmente através das mãos, de forma percutânea, por meio da perfuração com agulhas durante procedimentos cirúrgicos. Apesar de a maioria dos profissionais ter procurado o Grupo de Segurança e Saúde Ocupacional do hospital, o acidente, mesmo que superficial, tem grande potencial de contaminação, ainda que esses profissionais tenham considerado o acidente pequeno e por isso a não notificação. Dados semelhantes também foram detectados em trabalhadores da saúde inseridos na prestação de serviços em unidades de saúde que sofreram acidentes com material biológico no estado de Goiás, Brasil.10 Embora as mãos tenham sido o principal local envolvido, os equipamentos de proteção mais utilizados no momento do acidente foram máscaras e calçados fechados. Chama a atenção o baixo número de profissionais que fizeram acompanhamento com a equipe médica após o acidente e que receberam orientação psicológica, o que é importante mesmo sem a presença de sintomas específicos. Em outro estudo, observou-se a baixa notificação e as causas do acidente relacionadas à pressa, ao descuido, à recapagem da agulha e à realização de procedimentos sem luvas. Nesse mesmo estudo, o sexo masculino e a equipe de enfermagem foram os mais envolvidos em acidentes de trabalho.11

Entre os médicos, foram observadas maiores proporções de exposição durante o procedimento ou intervenção cirúrgica com o uso de máscara cirúrgica, avental ou roupas de proteção e dupla camada de luvas. Detectou-se também que foram ainda menores as proporções de notificações e atendimentos pelo Grupo de Saúde e Segurança Ocupacional e o monitoramento por uma equipe de medicina ocupacional após o acidente. A mortalidade por acidentes relacionados a eventos envolvendo cirurgiões é explicada. Para isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolveu uma lista de verificação para salas de cirurgia e a ofereceu aos países. A Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica da OMS é uma ferramenta de 19 itens criada em associação com a Escola de Saúde Pública de Harvard e tem buscado reduzir a ocorrência desses eventos em todo o mundo12. Entre os médicos, houve uma proporção ainda menor de profissionais que relataram que a orientação do hospital é que a notificação do acidente seja feita imediatamente, o que evidencia que a desinformação é um ponto crítico nesse grupo de profissionais.

Em alguns países, a notificação de acidentes de trabalho é uma ação conjunta do empregado e do empregador.13 Em Belo Horizonte, e especificamente no hospital deste estudo, a notificação do acidente é iniciada pelo próprio profissional, o que pode impactar a precisão do controle do número de acidentes notificados.

Nesta pesquisa, por se tratar de um único hospital, não se pode afirmar uma generalização dos dados. No entanto, por se tratar de um hospital de grande porte e pelo perfil do vínculo de trabalho da maioria dos profissionais que atuam em outros hospitais, espera-se que os resultados representem, no mínimo, um perfil próximo ao regional. Um estudo mais robusto deve ser realizado comparativamente para um conhecimento mais preciso das características relacionadas aos acidentes de trabalho com material biológico.

 

CONCLUSÕES

Os resultados deste estudo mostraram que o nível de escolaridade e o tempo de serviço não foram capazes de garantir a prevenção de acidentes com material biológico. Além disso, médicos e profissionais não médicos apresentaram não só uma incidência significativa de acidentes, mas também um perfil semelhante de comportamento diante do evento, com baixa notificação e subestimação do risco do acidente. A avaliação do serviço médico foi considerada, em geral, satisfatória e, apesar disso, ainda foi observado pouco conhecimento sobre as regras de notificação e o fluxo de atendimento. Tais resultados apresentam um panorama de risco em que a postura do profissional deve ser decisiva para boas práticas de segurança em saúde.

 

Contribuição dos autores

LFS foi responsável pela concepção, tratamento de dados e redação - esboço original. GKNG participou da redação - esboço original, revisão & edição do texto. SRAS foi responsável pela concepção, metodologia, validação e redação - esboço original. WTC participou da concepção, análise formal, supervisão e redação - revisão & edição. Todos os autores aprovaram a versão final submetida e assumem responsabilidade pública por todos os aspectos do trabalho.

 

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Recebido em 4 de Março de 2022.
Aceito em 5 de Maio de 2022.

Financiamento: Nenhum

Conflitos de interesse: Nenhum


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